Header Ads

test

A maior história em quadrinhos nunca terminada.

     Há quase 25 anos, o mundo dos quadrinhos teve um vislumbre de uma obra que poderia figurar entre as maiores da mídia como tantos best-sellers aclamados pelos fãs. Porém, talvez por uma força maior do destino, essa história única nunca teve seu fim e entrou para a história como a 'grande obra-prima' nunca terminada. Você conhece Big Numbers ? Reformulando: Você conhece Bill Sienkiewicz (Elektra Assassina)? E Alan Moore ?

    Sim, Big Numbers era a parceria desses dois grandes nomes dos quadrinhos para uma história que renderia 480 páginas divididas em 12 edições, e publicadas em conjunto por duas editoras, dentre as quais uma era a de Moore - Mad Love. Dois anos de estudo, um quadro do tamanho de uma parede para assustar até Neil Gaiman, e um trabalho ambicioso que infelizmente só teve dois números publicados. Basicamente a obra baseava-se em dois conceitos maiores - teoria do caos e fractal (uma área da matemática relacionada ao caos). Onde o efeito borboleta (lembrou do filme né?) faz parte da área de estudo.

 
Timeline de todos os personagens da história era do tamanho de uma A1


Amplo, contundente, divergente... Quadrinhos ?? Parece loucura, mas vamos tentar delinear com apoio das palavras do artista da série:

    Se voce tem um padrão de onda cerebral que é rítmica e outra desconexa, qual voce prefereria?  Presumo que a primeira, à primeira vista. Mas se pensármos direito, a outra, a caótica, seria a correta. Porque a mente e a memória são fractais por excelência, elas não seguem uma linha reta, uma aparente ordem, uma sequência... Por exemplo, quando voce pensa na primeira vez que teve um cigarro aceso em seus dedos, que foi num jogo de futebol que assistiu, aí voce se lembra de um dia chuvoso, depois num acidente que voce presenciou quando tinha 13 anos...e por aí vai, de associação em associacão, de forma lógica ou ao acaso. A coisa não funciona digamos, sob controle, cronlogicamente, ordenadamente. É aos saltos e, para isto, para a nossa mente trabalhar assim, é preciso que exista o Caos e , simultaneamente, alguma espécie de ordem. O coração e os pulmões são rítmicos mas a mente é caótica. E quando voce toma alguma coisa, como cocaína, ela faz a mente ficar ritmica e o cárdio-respiratório virar um caos...Tudo se espalha em volta. E é disto que estamos tentando tratar em Big Numbers."

  
   

            A ideia de Big Numbers era, mostrar as questões da teoria do caos, aplicando numa mudança brusca dentro da vida de várias pessoas em uma cidade do interior que recebe um Shopping Center. Basicamente a teoria do caos mostra que uma mudança mínima em um fator inicial pode prover alterações improváveis no fim, como uma previsão do tempo com números errados, mostrarem-se ser não uma chuva mas um tornado (fato ocorrido em 98 na Louisiana) ou a queda de um avião depois de passar com o pneu num pedaço de titânio de 45 centímetros que provocou a explosão da roda, danificando o tanque (ocorrido na França em 2000).  Ao longo da série cada um dos mais de 45 personagens serviriam como pano de fundo para mostrar a aplicação da teoria do caos, através da mudança descrita, mostrando eles mesmos como os 'afetados' pelo fato. Moore mostraria assim, as implicações da construção de concreto para a sociedade, em vários aspectos dos quais não só a mudança de rotina. Passando pelos mais diferentes tipos de persona, do depressivo, ao humorado, até chegar na personagem central da série uma mulher que retornava a cidade após 10 anos. Até o shopping era um personagem, ele tinha inicio, meio e fim, na pretensão de Moore contemplando os funcionários e etc.


 E se  Margareth Thatcher cortasse drasticamente os gastos do governo com a saúde? Muitos hospitais de  doentes mentais seriam fechados. Pacientes mentais retornariam aos cuidados da comunidade, e esta não se importaria mais. Os doentes ficariam perambulando pelas ruas, perdidos em si mesmos, não causando nenhum dano a ninguém que não seja a si próprios. Disse Moore certa vez que defendeu a ideia central de sua obra.



     Big Numbers ganhou duas edições oficiais em 1990, mas parou por ai. Sienkiewicz utilizava modelos para os desenhos, tornando mais verossímil (fotorealístico) a composição dos personagens, mas com problemas de tempo, reclamações por parte dos fotografados e uma crise no seu casamento, ele decidiu se desligar do projeto. Em diversas declarações posteriores ele já mencionou que queria terminar Big Numbers, fato este que Moore parece nunca mais ter cogitado. Apesar de Al Columbia ter assumido o posto de continuar a série, ela não teve uma terceira edição publicada, mas um colecionador jogou os originais na web com autorização de Moore em 2009 - veja aqui. Ao que parece Columbia não quis emular o traço do ex artista regular e decidiu também deixar o projeto. vale lembrar que outra questão no roteiro de Big Numbers é a ausência de recordatorios de pensamentos, os personagens apenas 'agem'. Bem como nas páginas de sonho (duas primeiras abaixo) não há sons por se tratar de um sonho.



Sem onomatopeias de sons.


         
           Celebrada por muitos como a grande obra prima dos quadrinhos a nunca ter sido publicada na íntegra, essa ambiciosa obra de Alan Moore, ainda permeia os sonhos de muitos fãs de quadrinhos que querem ver novas possibilidades na mídia. E claro, ainda esperam para que quem sabe, essa 'pequena alteração' de 1990, ainda nos presentei com  um bom fim, ao vermos essa história completa.