Opinion Zone: Neon Genesis Evangelion (Mangá)

Nasce o ano novo, você já se empanturrou de comida, tomou todas, vomitou no banheiro público da praia ou passou vexame na festa da família. Tudo bem, agora você tem mais um ano para fazer os outros esquecerem isso só pra poder aprontar no próximo fim de ano. Dentro desse clima todo é que aparece mais um Opinion Zone sobre mais um mangá, dessa vez um que é mais conhecido pelo seu anime e que a JBC lançou o último volume dele no Brasil recentemente. Essa será uma análise exclusivamente do mangá, sem qualquer tipo de comparação com o anime ou qualquer uma das outras mídias em que a obra se apresente. Portanto, já digo logo que alguns dos detalhes da história que eu irei expor podem muito bem diferir do que aparece na animação e quem sabe irritar algum fã ferrenho da obra com interpretação exposta aqui. Então, monte o seu humano gigante e acompanhe as letrinhas escritas e desenhadas por Yoshituki Sadimoto.





O mangá, antes de mais tudo, é inspirado na animação mas veio antes dela. Ele foi uma forma de dar uma alavancada na expectativa da animação que estava sendo planejada, sendo que depois de um tempo o desenho passou a frente do mangá, já que o último terminou em 2013 e a animação terminou em 1996. A história tem como protagonista Akari Shinji, um garato depressivo japonês que se vê obrigado a montar um robô gigante chamado de EVA afim de lutar contra misteriosos seres extra-terrestres chamados de Anjos.

Com uma sinopse o mais genérica o possível, eu introduzo a obra que busca fazer uma desconstrução do gênero de histórias japonesas mecha, ou melhor dizendo, o gênero de robôs gigantes. mostrando uma visão mais crua do que aconteceria se alguma criança tivesse que controlar um ser dessa magnitude. Não só isso como também apresenta uma trama de suspense muito boa, apesar da hostória demorar para decolar nos primeiros capítulos.




Depois de um começo que realmente dá a aparência de ser mais uma obra genérica do gênero de robôs gigantes, somos apresentados a toda uma trama de mistério e espionagem envolvendo a organização por trás do robôs gigantes e a sua origem. Não só isso como mostra o quanto esse tipo de batalha destruiria uma cidade e que essa destruição não seria contornada do dia para a noite, ficando a cidade palco das lutas cada vez mais destroçada. Além disso, o porque desses seres extra-terrenos somente atacaram aquela cidade também busca ser explicado.

Os personagens aparentam algumas vezes serem rasos ou desinteressantes, mas vão sendo desenvolvidos no desenvolvidos no decorrer da trama de uma boa forma, apesar de isso só ser bem acentuado da metade da obra para frente, que é quando realmente a obra começar a prender muito o leitor. Exemplo desse desenvolvimento é o próprio protagonista, Shinji: no começo ele é só mais um moleque chorão e altamente depressivo, mas depois você entende que ele cresceu em todo um ambiente que buscava ignorar a sua existência e que não parecia se importar com o que ele sentia; por conta disso, ele sempre teve problemas para formar amizades, se tornar uma pessoa sociável e bastante confusa com relação aos seus sentimentos.



A trama, como já citei anteriormente, se desenvolve de modo bem devagar no começo. A bem da verdade, no começo da história você terá quase que exclusivamente as lutas contra os robôs e uma apresentação dos Evas. Mas novamente, a partir de perto do meio da história toda a trama de conspiração começa a se desenvolver e junto dela os personagens se desenvolvem muito junto, começando a criar uma empatia deles com o leitor; e isso vale até mesmo para alguns personagens pelos quais nãos e esperaria tanta coisa. Outro ponto que foi muito interessante foi o constante uso de metáforas religiosas dentro da obra, sendo as que o cara que está escrevendo aqui mais percebeu foram as com  o judaísmo e o cristianismo; com relação a elas, mostraram-se interessantes como não somente uma forma de compor a narrativa como elas ajudam a explicar muito das coisas alí presentes, não sendo um fan service de referências gratuitas. Uma por exemplo é a do número de Anjos existentes, ou a da aparição da Lança de Longinus - por alguns chamada de Lança do Destino, que seria a lança usada para matar Cristo durante a sua crucificação.

Falando agora da arte, achei uma arte competente, na cagação de regra rotineiramente apresentada aqui. O traço é bastante agradável e regular, apesar de em alguns momentos a  magreza de algumas das pilotos ter tons liefildanos, mas via de regra é bastante competente. Na parte das lutas ela mantém também a sua competência, mas não se demonstra nada espetacular ou maravilhoso; é apresentada a situação de boa forma mas não é nada explendoroso como cena de ação e tudo mais. O grande trunfo do desenhista do mangá é quando ele faz as suas, sendo ela sem sua maiorias muito bonitas e aumentando o seu número a partir da segunda metade da trama. PS: o termo "cenas especiais" foi usado pela pessoa que escreveu a resenha pois ela desconhece o termo técnico certo para usar aqui.



Antes de dar as considerações finais, falar um pouco da impressão PESSOAL de quem está escrevendo esse texto do final. Foi um final claro e conciso, sem grandes floreios. Existe uma ou outra coisa que dá margens para grandes teorizações, mas o final foi claro, é realmente aquilo que demonstra. A JBC publicou os dois últimos capítulos, ao menos na minha cidade, em um número separado, muito provavelmente no formado meio-tanko e em alguns meses deve vir o último volume completo. A única dúvida que fica talvez seja em uma cena lá no final  do último capítulo que deixa dúbia um relacionamento que está aparecendo, mas ainda sim não é um final aberto ou confuso.

Considerando finalmente é que esse é realmente um mangá muito bom. Não foram feitas comparações com a animação e nem devem ser feitas, afinal são duas obras realmente distintas com um tema parecido, independentes entre si. No dia em que a animação for assistida pelo autor em questão talvez possa ser que aja um post sobre ela, se a preguiça o permitir. Podem ler tranquilamente o mangá mas tenham paciência com o seu começo pois ele logo melhorará. Até o próximo post - e esse post não é do Questão, só pra lembrar - e até a próxima resenha.

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