Penny Dreadfull – ou tudo que A Liga Extraordinária não foi no cinema




   Essa semana conclui a primeira temporada de Penny Dreadfull, uma série de 8 episódios que iniciou ano passado e está mais que confirmada para em 2015 ter sua continuação. E inspirado no que vi nessa produção resolvi tratar do tema aqui no site.


 Sobre a série – É uma produção de John Logan, (indicado ao Oscar de melhor roteiro três vezes – A Invenção de Hugo Cabret, O Aviador e Gladiador) e Sam Mendez, premiado pela Academia como melhor diretor em Beleza Americana. Focado em terror, com grande elenco (Eva Green,  Josh Harnet e Timothy Dalton são exemplos) e produção da Showtime.






   É de se torcer o nariz quando se fala de série de terror até porque sempre há um ar de desconfiança, mas o foco dessa série é mesmo qualidade (e o desfile de produtores e atores de renome são a constatação).  Na era vitoriana do século 19, existiam folhetins de terror e contos macabros que custavam 1 penny ( centavo do terror seria a tradução de Penny Dreadfull). Muitas das histórias de terror gótico que se tornaram lendárias na Inglaterra e no mundo saíram desse tipo de publicação, podemos citar Sweeney Todd (aquele do filme do Tim Burton) ou o detetive Sexton Blake. 


    Passada a aula de história, já é possível iniciar a série entendo que a proposta é de mostrar histórias de terror gótico da era vitoriana em Londres. A premissa pode não ser das mais interessantes, a filha de Sir Malcolm foi sequestrada por algo inexplicável. Ele então começa uma jornada em busca de desvendar os mistérios acerca do ocorrido, mas precisa de todo tipo de apoio: Vanessa Ives é uma sensitiva que foi a melhor amiga da moça, Ethan Chandler é um falso ator e grande atirador americano que não teme nada, Dr. Victor é um médico que tem fascinação pela morte e que faz experiências que servirão aos propósitos da busca e Sembene um africano que é um guarda-costas de Malcolm.

   Acontece que a garota sumida é nada menos que Mina Harker , que caso você não lembre é a personagem central da história de Drácula por Bram Stroker. Por sinal a ambientação e trilha sonora (competente de Abel Korzeniowski) lembra muito o filme com Gary Oldman e Keanu Reeves. Como a série gira em torno de suspense, terror e mistério, é de se esperar que cada personagem esconda uma referência de personagens clássicos da literatura vitoriana, no estilo Liga Extraordinária. Eles vão se unindo cada qual com sua trama muito bem trabalhada nos capítulos de 50 minutos, através de seus próprios interesses e tornando tudo incrível.  Nesse ponto podemos citar que Penny Dreadfull seja uma versão vitoriosa da Liga Extraordinária de Alan Moore – que fracassou no filme de 2003. Vejamos as semelhanças


Allan Quartemain/ Malcolm Murray
Interpretado por Sean Connery no filme, Quartemain é um inglês e herói colonialista que faz expedições e aventuras no continente africano. Murray em Dreadfull, é uma espécie de pai de Mina Harker (de Dracula) com Quartemain, ele também faz expedições pela África, e Sembene seu leal amigo o conheceu no Senegal.





  
Mina Harker
Tanto no filme como na série é uma referência a personagem do romance Drácula, d e Bram Stoker (1847-1912). No livro, Mina é perseguida pelo famoso vampiro, que acredita ser ela a reencarnação de sua antiga amada. Em Penny Dreadfull se usa o termo mestre mas não está claro se é realmente Drácula.







Tom Sawyer / Ethan Chandler
Tom Sawyer , do escritor americano Mark Twain (1835-1910), é um jovem detetive do sul dos Estados Unidos, que retrata uma critica a escravidão no livro. Não por coincidência Ethan Chandler, é um ‘ator’ americano que revela no primeiro capítulo uma mira invejável, ao usar o revólver, diante do (estupefato) público presente em uma apresentação.




 








Dorian Gray
O protagonista do romance de Oscar Wilde, é extremamente belo e sedutor, e sempre permanece jovem. Está presente tanto na série como no filme da Liga. Na série Gray é responsável pelos extravagantes gostos sexuais e orgias.





 

     









 Outras referências claras, como a de Jack o Estripador, a própria encenação da peça de Sweeney Todd em um dos teatros e muito mais que não posso contar para não estragar todas as surpresas. A retratação das criaturas também é mais obscura, é o caso dos vampiros que aqui tem um tom mais apropriado a seriedade da trama.O que fica evidente é que a proposta dos autores, com liberdade de fazer um material mais pesado, foi de fazer uma ótima série de drama/suspense/terror talvez em resposta a American Horror Story do canal adversário. Não passa despercebido a incrível atuação de Eva Green, nas últimas semanas vi os filmes 300 Ascenção e Sin City a Dama Fatal, e como sempre ela é a Femme Fatale que até ofusca Xerxes no primeiro e que causa polêmica no segundo. Sempre com cenas fortes de sexo, inclusive em Penny Dreadfull, a atuação dela não me convence tanto nos filmes citados mas é inegável: Ela nasceu para ser a vilã sedutora, ou bruxa possessa. Olhar para a atuação dela em toda a primeira temporada desta série, é ver que apesar de todos terem enfoque, predomina sua versatilidade. 





      Fechando esse review, Penny Dreadfull foi uma grata surpresa, é uma série ótima com um ótimo cliffhanger para a 2ª temporada.  Em resumo todos os esforços de Alan Moore em a Liga Extraordinária, que foram perdidos no filme de 2003, voltam aqui com força exaltando essa época de ouro da literatura numa série que não peca nos roteiros.  Penny Dreadfull é tudo que a Liga Extraordinária não foi.

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