Demolidor: Sem medo de elevar o nível das séries de Heróis.


Demolidor chegou com dois pés no peito dentro do Marvel Cinematic Universe. Inteiramente disponibilizada na Netflix, a primeira temporada do Atrevido coloca um novo parâmetro entre as séries de herói, tanto da DC quanto da Marvel. A partir de Demolidor, as outras séries vão ter que se esforçar para melhorar tanto em roteiro, quanto direção. A série, que mais parece um longa metragem de 13 horas do que um seriado com casos da semana ou dramas de relacionamentos (alô, Arrow).


Charlie Cox cumpre seu papel como cego perfeitamente. Diferente de um Ben Affleck com cara de que acabaram de roubar seu lanche no recreio, Charlie realmente age como uma pessoa cega sem parecer falso ou muito menos retardado que nem o seu predecessor e atual Batman. Além disso, vemos durante flashbacks a infância do jovem Matt Murdock aprendendo a lidar com seu dom e aprendendo de seu mestre, Stick. A série até aparenta de que vai  se perder num mar de "casos da semana" com os clientes de Foggy e Matt, mas é aí que ela te mostra que diferente das séries atuais, ela não iria se prender nisso e aposta na continuidade de sua trama, sem nunca encerrar um episódio sem ligar diretamente ao começo do próximo. A série te coloca numa Hell's Kitchen pós-Vingadores, tentando se reconstruir e com isso cheia de pessoas com más intenções de olho na cidade. E entre elas, está obviamente, Wilson Fisk.


Fisk durante a série se mostra um homem que tenta conter sua explosão animal de emergir, sempre agindo de forma até estranha, como se tivesse medo de si mesmo e do que ele poderia fazer se ficasse nervoso ou sempre tentando não explodir. Cada fala, o jeito de agir dele mostra um homem perturbado pelo seu passado tentando criar uma cidade melhor, mesmo que de uma forma deturpada e através de meios ilegais e muitas vezes derramando sangue e criando ainda mais destruição. Durante os primeiros episódios, Wilson não aparece, sendo aquele que fica nas sombras operando toda as organizações criminosas que trabalham para ele. E quando ele aparece, começa o show de atuação de Vincent D'onofrio, que a cada episódio se supera como Rei do Crime. 


Outro momento muito bom da série é quando o mentor do Atrevido, Stick, aparece e começa a ser mostrado o treinamento do rapaz para entender seus poderes e seus sentidos aguçados. Ali, temos uma explicação melhor para os sentidos de Matt e como eles funcionam, apesar de ele já ter nos mostrado anteriormente, aqui nós temos noção da plenitude e da capacidade do jovem Murdock e como ele aprendeu a utilizar seu dom da forma correta. E isso é o que faz a série ser diferente das outras por aí. Ela tem tantos elementos bons dos Quadrinhos que você não se incomoda de ficar vendo flashbacks e coisas da origem do Demolidor. Você simplesmente assiste de bom grado. 


A fotografia da série é um ABSURDO. Existem situações que você acredita estar simplesmente vendo um Motion Comics, de tão quadrinhos são algumas tomadas. A cena final do Segundo Episódio parece que foi tirada de dentro dos quadrinhos e transcrita para a série de forma magistral. O diálogo do final desse episódio resume o que é o Demolidor e como o personagem é incrível dentro do Universo Marvel. A Cozinha do Inferno, sempre retratada em seu pior durante a noite, consegue fazer com que nós tenhamos uma dimensão de como a cidade está cada vez mais entranhada no sangue e nas subversões que o tráfico, a Máfia e o Rei do Crime trazem para a cidade. 


Demolidor se arrasta um pouco, principalmente quando temos que lidar com os conflitos dentro do escritório de Advocacia do Homem Sem Medo e ouvir todo o drama dele com Foggy e com Karen. Mas tirando isso, a série é um deleite pra quem curte quadrinhos e principalmente os heróis urbanos. Ficamos agora na expectativa para a próxima temporada e como ela vai se desenrolar após os acontecimentos do final da 1ª Temporada, que termina de uma forma bem promissora e como se fosse um arco fechado de histórias do Demolidor, como os quadrinhos são. 


Demolidor entrega o que você queria, sem mais, nem menos. A série não compromete e consegue te cativar e vibrar com muitas cenas de lutas extremamente bem dirigidas e com todo o realismo que eles poderiam nos entregar acerca de um cego ninja que faz Parkour.

E ah, pra quem reclama do Uniforme Vermelho, veja a porra da série e pare de mimimi. O Uniforme funciona BEM PRA CARALHO.

Nota: 8,5/10

(E chupa Agents Of SHIELD, Flash e Arrow)

Confira Também...

0 comentários