Velocidade Máxima por Grant Morrison

Olá leitores do melhor blog do planeta terra. Como o Sr. Questão não deixa um post para nós meros mortais temos que apelar. Estive em contato com o 4º volume de Invisíveis de Grant Morrison nas últimas semanas.  Mais precisamente na edição 1 do volume 2 , vemos uma conversa de bar sobre o filme Velocidade Máxima. O escritor tenta dar sua visão única sobre a película atribuindo aos roteiros malucos da sua obra. Resolvi transpor isso de acordo com o que vi no filme através de meus olhos não tão treinados.

Sobre Grant Morrison - um escritor famoso de quadrinhos, acalmado como gênio por uns, incompreendido por muitos.

Sobre Invisíveis - Sua obra máxima do selo Vertigo, sendo extremamente autoral e até biográfica tem todas as viagens que qualquer droga poderia proporcionar, como conspirações, alienígenas, magia, dominação mundial e toda a sorte de referências imagináveis.

Sobre Velocidade Máxima - Um filme de 1994, título original Speed, popular na sessão da tarde. Impulsionou a carreira do hoje astro Keanu Reeves e tem ainda participação de Sandra Bullock.




  

A consideração de Grant Morrison vai ser transcrita na íntegra aqui conforme sua visão do filme, revelada na trama de Invisíveis:

" Velocidade Máxima é sobre evolução. O ônibus é o mundo, tem toda nacionalidade. O motorista parece um Cro-Magnon. É nossa herança bruta da evolução, conduzindo o mundo ao Armagedom enquanto todo mundo fica só discutindo. É tudo simbólico. Veja só quantas vezes aparece o número '23'. Não é coincidência. É um código uma mensagem. No final depois da jornada tântrica no metrô, eles saem na frente de um cinema onde está passando 2001:Uma odisseia no espaço. O ônibus é o mundo e aquele vão nas obras da rodovia é o Apocalipse."



Sobre o número 23
A principio parece ser uma referencia ao Ching, que significa desintegração e ruína. Também remete ao trabalho de  Robert Anton Wilson, um homem fascinado com o número 23 e sincronicidades reais ou imaginárias relacionadas com os dígitos. Aleister Crowley em seu dicionário cabalístico define o número 23 como número de 'vida'. O número também é tema da trilogia Iluminatti de Robert Shea e largamente utilizado em teorias conspiratórias. Você pode ver muito sobre a paranoia no filme 23 de Jim Carrey e outras nesse link. Do que consegui notar sobre o fato do número 23, que conforme Morrison aparece em todas as cenas:

O filme foi lançado em 1994 - 1+9+9+4 = 23

A primeira referencia do filme é quando a equipe de resgate descobre que tem 23 minutos para evacuar os elevadores.

O painel de acesso investigado por Traven e Temple esta no 32º andar (23 ao contrário)

De fronte ao terrorista Traven o vê pressionar o botão do 3º andar sugestivamente formando o 23.


O helicóptero utilizado pela polícia para acompanhar o ônibus tem identificação N599DB - a soma dos números forma o número 23 - (5+9+9).


Após a cena da destruição no metrô temos uma placa de período sem acidentes bem sugestiva. Notem que há uma divisão entre os números 20 e 3, intuindo a parecer 20+3.


 O Apocalipse

O vão descrito por Morrison, possui 15 metros de extensão e põe fim a rodovia onde trafega o ônibus. Todos os passageiros depois de uma rápida discussão e da morte de uma passageira, comemoram o fato de superarem o obstáculo (numa das cenas mais improváveis do filme - quando o ônibus salta o vão da rodovia para cair em solo firme na continuação da mesma).

Passageiros



(1) Ortiz  - Ele desarma o bandido e lamenta o fato de estar perto da morte por ter uma esposa. Acaba ajudando Traven posteriormente a voltar ao ônibus.


(5) Turista - Ele reclama de não poder morrer e de estar no ônibus errado no momento errado.

(9)Bandido - esperando apenas o seu momento temos um homem armado que se pronúncia após o policial Traven entrar no ônibus

Uma das analogias de Morrison é de que o ônibus 2525, é uma metáfora, representa o mundo e tem em seus passageiros a vasta representação de todos. Nacionalidades diferentes, jovens, idosos, bandidos e etc. Naquele momento todos tem em comum o instinto de sobrevivência e o peso disso ecoa em discussões durante o trajeto. É importante ressaltar que ele define o motorista como um símbolo Cro-Magnon,  representando um trajeto de evolução distribuído entre os rostos que estão dentro da condução.

 

Viagem ou não, está aqui a interpretação de Morrison sobre esse filme para que todos possamos revê-lo sobre nova ótica. Sinceramente, eu não sou o maior apreciador do autor e confesso que venho tendo muito trabalho para garimpar todas as propostas referencias de Invisíveis, que ao contrário de Planetary, são bem menos intuitivas. Além dessa menção a Velocidade Máxima, temos um comentário sobre Pulp Fiction que deve ficar para novo post.

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