Life Is Strange (Episódios 1, 2 e 3) - Por um mundo com mais jogos assim.


Uns dias atrás tinha visto que uma galera estava jogando Life Is Strange. Ignorei, achando que era só mais um jogo daqueles bem sem graça, não tinha visto nem trailer. Aí, de bobeiras na Steam, vi o trailer do jogo. Meu queixo caiu. Sendo fã de histórias com viagens no tempo e toda essa teoria de multiversos e efeito borboleta, devo dizer que esse jogo me fez voltar a ter prazer em jogar coisas da Square-Enix, apesar dela ser só a publisher do jogo, sendo ele da Dontnod. Com uma jogabilidade baseada nos Adventure Games (SAUDADES MONKEY ISLAND, VOLTA POR FAVOR) e muito na pegada do que a TellTale Games tem feito com excelentes jogos, como The Walking Dead. Focar na sua narrativa e nas consequências dos seus personagens. E qual a melhor forma de fazer isso se não com uma personagem com o poder de voltar no tempo? 


Max Caulfield tem o poder de voltar no tempo e mudar pequenas decisões. E essa é a dinâmica inteira do jogo. Suas decisões irão afetar no final do jogo e isso irá interferir no final e em todas as suas escolhas. O jogo te mostra que por mais que você possa remediar, algumas coisas não devem ser mudadas. Toda a trama de poder voltar no tempo também se alia com uma grande história dramática por trás. Por se focar na Narrativa, Life Is Strange se torna algo tão lindo e tão imersivo que você se envolve com os personagens de uma forma que muitas vezes você se sente mal por sua decisão. A cada escolha uma situação pode ser diferente, e isso vai se provando cada vez mais durante a trama destes 3 episódios que temos até agora. 


A interação entre Max e Chloe, sua amiga de infância que ela reencontra após voltar a sua cidade natal, é tão bem explorada que ambas são protagonistas e muitas vezes Chloe rouba a cena de Max, sendo uma personagem chave e a parte que faz toda a trama se desenrolar e cada vez mais se tornar interessante e um emaranhado (no bom sentido) de coisas que vão se juntando e cada vez mais se comunicando entre si. E tudo isso, aliado a uma excelente trilha sonora e dublagens incríveis. A parte gráfica pode não ser lá essas coisas, mas o jogo compensa isso tudo com o carinho e a forma como ele foi escrito. A beleza dele está em ser shell shading e todo estilizado. É o que deixa o jogo bem mais intimista e envolvente.


Não canso de dizer que amo a trilha sonora desse jogo. Ela casa com o estilo da personagem e sempre está nos momentos certos do jogo. Ela se completa com a obra e mais uma vez está lá para acrescentar na trama. Isso me lembra bastante o que foi feito com Last Of Us, aonde a trilha sonora é um complemento à trama e muitas vezes está lá pra comunicar bem mais do que o texto dito pelos personagens. E são esses valores que fazem do jogo algo único que merece ser jogado, dissecado, jogado mais de uma vez para ver as consequências de seus atos e como isso se desenrolar. 
Esse jogo é talvez, uma das melhores coisas que eu joguei até agora esse ano. Se não a melhor. Eu espero muito que ele acabe concorrendo a jogo do ano e que se der sorte, vença The Witcher 3 ou qualquer outro grande concorrente que venha por aí. Por que precisamos que cada vez mais jogos desses, que não se focam em simplesmente ganhar dinheiro ou mesmo que tenha demorado e seja bem elaborado, tenha trama vazia e que te faz enjoar em menos de um mês jogando (Alô, GTA V, tô falando com você).
Até agora, para esses 3 episódios, eu dou nota 9. É talvez uma das coisas mais bonitas que eu já joguei, com contextos e assuntos bem pesados que são abordados de uma forma bem intensa e linda, mostrando que nem tudo está perdido e que você pode ser melhor e superar as coisas. A vida é estranha mesmo, e bela. 

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