E se o Superman voltar a ser legal?

Ok, devo admitir uma coisa que muita, muita, muita gente faz (provavelmente incluindo você), mas não admite porque é socialmente inaceitável, um tipo de transgressão de menor porte, coxixada nos chats do Facebook, mas nunca declarada abertamente: eu li scans. "Não vou nem continuar lendo! Você não está colaborando para o crescimento do mercado de HQs!" Confesso que eu nunca tive o costume de ler scans. Li uma ou outra saga que perdi a publicação no Brasil (Crise de Identidade foi uma delas), mas não tenho o hábito de ler scans. Gosto de quadrinhos digitais e de quadrinhos de papel, mas tem uma coisa que os impressos vencem qualquer HQ de celular: o hábito de ir banca (a única aqui da cidade), falar com o quase sempre mal humorado Silney e comprar um gibi. Isso não tem preço! Ok, chega de falar de scans, eu li porque queria saber a quantas andam as histórias do Superman. Procurei, baixei e li.


Eu tinha um problema com as histórias do Superman. Eu posso usar uma caralhada de argumento, como por exemplo a quase constante tentativa de remontar a atmosfera dos filmes de Cristopher Reeve, a divinização do Superman, o cara que é uma analogia viva de Cristo blá blá blá. São as explicações que eu fico buscando dentro da minha própria mente para explicar o que há de errado com o maior herói de todos os tempos. Caguei pra tudo isso. O Superman é um ícone. Todo super-herói que veio depois dele tem influência do próprio, direta ou indiretamente. Eu cansei de ouvir que o Superman não funciona para os dias de hoje, que o Superman funciona dentro da Liga da Justiça e olhe lá. Que o Superman isso, que o Superman aquilo. Chega! O problema do Superman é o mesmo problema de toda HQ de herói: os roteiristas. Uma vez eu perguntei a algumas pessoas no Twitter se , na opinião deles, o mangá ainda teria futuro. Sidney Gusman, acho que o cara mais querido quando se fala de Quadrinhos no Brasil, me deu a melhor resposta que eu poderia receber: "Quadrinho bom tem futuro". É isso! O Superman estava uma porcaria porque tudo o que escreviam para ele era horrível! Era chato! Era extremamente, animalescamente chato!

Eu li algumas edições da Action Comics e gostei muito do que vi! Uma história bem construída, com o Superman sendo mostrado não como o herói magnífico, superfoderoso, deus, abram-uma-igreja-para-o-super-homem, mas sim como um super herói apenas! Vai ali, luta, voa, enfrenta, pensa, reflete, se machuca. Não tem a coisa chata que predominava nas HQs do herói: o clima de "olha como ele é foda, mesmo não fazendo absolutamente nada". Eu li, acreditem ou não, uma história divertida do Superman e, pasmem, voltar a gostar do herói. Se continuar assim, quem sabe até colecionoas revistas. Óbvio que não é uma evista perfeita, mas na moral, qual revista é?

Foi o reboot que salvou o Superman? Não, nem de longe! Foi o uniforme? Nem mudou muito... Já sei, foi o fato de ambos os pais dele estarem mortos, certo? E isso fez realmente alguma diferença um dia? Huum, foi a Mulher-Maravilha, aquela danadinha, né? Ela nem é citada na HQ. Então o que diabos de mudança fez a revista muito, muito, muito chata do Superman, de repente, se transformar em algo legal de se ler? Uma boa e divertida história. Sem grandes analogias ou pensamentos profundos sobre o comportamento humano. Sem "olha como ele é legal só por ter sido o primeiro super-herói!". Apenas uma boa história. E quer saber? É tudo o que os fãs, de longa data ou recentes, gostariam de ler. Uma boa e divertida história do Superman. Soluções de design, desenhista, coorista, periodicidade etc não significam nada, se no fundo a história não for divertida.

Esta foi uma opinião pessoal, não estou tentando provar para ninguém "pelas regras dos Quadrinhos" que isso é bom ou ruim. É apenas uma opinião pessoal. Deixe a sua aí nos comentários!

Não sei quando essas edições que li saem no Brasil, mas é a Action Comics a partir da edição 36. É só ficar ligado na numeração das compilações na revista mensal do Superman pela Panini.

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