Faça boa arte

O Brasil é um país de um sistema de ensino cada vez mais desvalorizado, em pesquisa de 2013 o país ocupou um dos últimos lugares nos índices de nível de leitura, já em 2014 ficou atrás de países como Chile e Luxemburgo em questão de desempenho escolar e número de estudantes regulares no ensino superior. Problemas à parte, é cada vez mais gritante a falta de incentivo e melhorias ao ensino de base no nosso país. Bem por isso, o que se vê é um problema crônico que reverbera na formação de nossos jovens que em suma, não dão sequência em carreiras acadêmicas pelo fato de nem ao menos concluirem o ensino básico. Some a isso o medíocre tratamento aos mestres do ensino, com salários defasados e ao fato de grande parte da população não poder investir em caminhos alternativos, como escolas privadas e técnicas, e contribuimos mais com a desescolarização. E porque começamos justamente falando sobre isso nesse post? Vamos a segunda parte para entendermos;


Há um homem conhecido como Sir Neil Gaiman, britânico, jornalista, escritor, roteirista e mundialmente famoso astro da literatura. No início da década de 80 Gaiman ainda não era um nome conhecido, lutando para se firmar como escritor fora rejeitado por diversas editoras, sobrevivia como jornalista freelancer escrevendo artigos diversos. Quis o destino que ele conhecesse Alan Moore, que naquele momento também iniciava o caminho da fama que ostenta atualmente, e assim incursou no caminho dos quadrinhos escrevendo algumas obras com Dave Mckean que o levaram a DC Comics. Não precisamos dizer muito mais, Gaiman ajudou a criar o selo Vertigo com Sandman, e se tornou um best-seller. Mencionar que esse cara já ganhou 4 Hugos, 13 Eisner, 6 Locus, 4 Bram Stoker, 2 Nebulas, foi eleito mais de uma vez o escritor do ano, e o que mais tiver direito em sua galeria extensa de premiações é pouco perto do que fez. Agora imagine uma situação, Neil Gaiman desistiu de se formar numa instituição de ensino superior ainda no início de sua carreira jornalistíca. Mesmo assim, em uma lição mais do que única de respeito ao ensino e o saber, ele incursou numa universidade mesmo com uma carreira consolidada no mundo todo, para em 2012 no momento de sua formatura emitir um extenso discurso com valiosas lições para nossas vidas.



Gaiman comenta que desistiu de passar anos para se formar e lutou por conta própria para conseguir seus objetivos, mesmo assim anos mais tarde sua volta a uma universidade foi uma maneira de mostrar que aprender mesmo para um grande mestre é necessário. O ensino nunca é irrelevante, e mesmo quem já se aventurou em quase a totalidade de matizes do mundo ainda pode descobrir sob nova ótica algum ensinamento. O que Gaiman mostrou com sua atitude é que sim, há méritos em aprendermos lições com o mundo e com as pessoas, mas ter fundamentação pode lhe ajudar a encarar com maior preparo uma jornada ao desconhecido.  Gaiman diz que não teve uma 'carreira' simplesmente as oportunidades estavam lá e ele fez um trabalho após o outro para aproveitá-las, assim as coisas aconteceram. Mesmo assim, apenas absorver os conhecimentos, métricas e procedimentos acadêmicos também não lhe garantem tudo, deve haver um equilíbrio entre as experiências do 'erro e acerto',

 "eu espero que vocês cometam erros. Se vocês estão cometendo erros, significa que vocês estão por aí fazendo algo. E os erros em si podem ser úteis. Uma vez escrevi Caroline errado, em uma carta, trocando o A e o O, e eu pensei, “Coraline parece um nome real…”

O discurso extenso de Gaiman, rendeu um livro, com o principal trecho de sua lição de humildade aos colegas formandos. Neil falou sobre suas experiências, sobre suas dificuldades profissionais e sobre o longo percurso para se tornar sucedido, mas atribuiu isso tudo a meritocracia das qualidades inerentes de cada um. Somos únicos, temos qualidade únicas, desde que façamos nosso melhor.

'A vida as vezes é dura. As coisas dão errado, na vida e no amor e nos negócios e nas amizades e na saúde e em todos os outros modos que a vida pode dar errado. E quando as coisas ficam difíceis, isso é o que vocês devem fazer.
Façam boa arte.'


Então o que realmente podemos aprender desses 20 minutos com um grande pensador da atualidade é:  O ensino é muito mais do que simplesmente uma maneira de lhe dar oportunidade no mercado, aprender é uma de nossas maiores capacidades seja no auto-didatismo de Gaiman ou através dos fomentadores de informação que Gaiman também buscou mesmo sendo um romancista premiadíssimo. A todos os leitores, não há idade, não há dia, não há motivos para não buscar o aprimoramento profissional e pessoal. Não há prêmios que lhe condicionem como preenchido intelectualmente, como não há diploma que lhe torne um grande profissional. Vá atrás dos seus erros e se o sistema de ensino não lhe ajuda busque alternativas, faça seu melhor, faça boa arte.

Abaixo um dos trechos do discurso (mantendo as falas originais) em formato de tira:







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