Coleção DC Eaglemoss e o mercado de Quadrinhos no Brasil

Sim, depois de uma breve novela de pouco mais de 1 ano, a Eaglemoss anunciou que em Outubro irá lançar oficialmente a coleção de Graphic Novels DC Comics. A coleção segue os moldes da coleção Salvat de Graphic Novels Marvel, e tem uma imagem a formar-se com as lombadas unidas em desenho do Alex Ross. Os 4 primeiro números são, Batman Silêncio I e II, Superman o último filho de Krypton e Liga da Justiça Torre de Babel. O valor a partir do terceiro volume é fixo em R$ 34,99



Vamos tentar pensar um pouco com relação ao mercado nacional de quadrinhos, esse anúncio da Eaglemoss é apenas mais um indício de que o mercado nacional de Comics maturou. Há espaço para coleções fechadas, produtos de linhas sofisticadas (como edições Deluxe, Capa Dura e similares), além claro de materiais mais acessíveis como os tradicionais Mix mensais, encadernados capa cartão/cartonada e agora até revistas semanais.  Percebemos que uma enxurrada de títulos afloram banca e comic shop afora todos os meses e fica claro que tamanha maturação também é de certa forma um problema. Afinal, mesmo que você rico com seus Omnibus importados diga que não, colecionar quadrinhos é um hobby caro.
Para efeitos de comparação, a Panini comics detentora dos direitos de publicação Marvel/DC no Brasil, lançou em banca mais de 20 títulos mensais em Agosto apenas para essas duas editoras, sem contar edições encadernadas (como Monstro do Pântano e ZDM). Com o preço médio de R$ 7,00 e teremos R$ 140,00 reais por mês em média para acompanhar todos os títulos. Some a isso que temos mais as ditas coleções como da Eaglemoss aportando em linha com mais as coleções Salvat e as coisas mudam de figura.



A Salvat possui duas coleções vigentes no país, a Graphic Novel Marvel e os Heróis Mais poderosos Marvel, que somadas renderiam aos bolsos de colecionadores R$ 131,60 para comprar as edições mensais de ambas. Isso sem contar mais duas edições da DC pela Eaglemoss surgindo, elevando o valor a mais de R$ 200,00 mês. E não está na soma os encadernados Star Wars da Planeta Dagostini, os encadernados eventuais da Panini e etc. Sim são bons tempos para colecionar, mas existem os pró e contras. Uma pesquisa realizada pelo professor Victor Trujillo com mais de 3 mil leitores em Campinas revelou que:

46% dos leitores se dispõe a gastar até R$ 10,00 em quadrinhos mensalmente, quando apenas 16% gasta de R$ 30,00 ou mais em uma única edição. Portanto nossa conta básica mostra que inevitavelmente o mercado pirata é a solução para muitos dos atuais leitores de quadrinhos.


Outros números interessantes são da pesquisa do Papo de Quadrinho , que mostram que a maior parte dos leitores são homens entre 25 e 39 anos residentes em sua maioria do Sudeste, morando com os pais e tem renda entre 2 e 5 salários mínimos (R$ 1.576,00 a R$ 3.940,00, pelo piso nacional). Mesmo assim a média de revistas compradas num mês é pequena sendo 77% até 5 edições por mês. O que significa que temos um mercado com mais oferta do que procura. São em torno de 23 títulos Marvel/DC mensais, sem encadernados, apenas da Panini sem contar Dragon Ball, edições da JBC, HQm e etc. Ou seja 5 revistas de todas essas mensais são adquiridas no mês;


No quesito total gasto por mês em quadrinhos, temos um seleto grupo que consegue gastar mais de R$ 100,00 sendo que 47%  gasta no máximo R$ 50,00 em quadrinhos num mês.


O problema maior nesses casos é que muitos leitores querem ter uma edição encadernada e mais luxuosa mas devido a limitações de orçamento acaba perdendo o lançamento, essas edições que não vão as bancas, e tem tiragem limitadíssima, esgotam num piscar de olhos e aparecem meses depois no mercado livre em valores absurdos. A editora por sua vez demora a repor esses produtos e contribui para os preços inflacionados. E o que vemos são situações como esta:



E nesse ponto existe o ponto positivo nas coleções Salvat e Eaglemoss, edições há muito esgotadas estão na lista de publicações dessas coleções dando oportunidade aos leitores de comprar o material em valores mais acessíveis e menos irreais como no caso acima. Além de forçar a Panini a relançar o material antes da publicação por parte de uma das duas. Exemplos não faltam, Capitão Britânia foi lançado pela Panini por estar na coleção Salvat, num preço menor. Edições como Longo dia das Bruxas, relançadas antes de edições mais pedidas também são efeito da coleção Eaglemoss, e não vai ser diferente com a Morte do Superman e Crises nas Infinitas Terras (já anunciada para o fim do ano) por estarem na coleção citada.
Bom não falamos aqui de histórias que não tem edições econômicas e que saem apenas em edições de luxo em periodicidade irregular, como no caso de Saga da Devir ou mesmo ZDM e Transmetropolitan da Panini. E também não falamos das disparidades de preço entre as edições, enquanto Thor Renascer dos Deuses sai a R$ 32,00 pela Salvat a mesma compilação de histórias sai a R$ 48,00 no encadernado da Panini. E mesmo que em termos de tamanho, acabamento e capa Panini está a frente, lembrem que nem todos podem ter escolha a não ser comprar no valor mais acessível.



Bom galera é isso, o jeito é planejar muito bem os gastos, conferir a lista dos materiais e fazer uma lista de interesses. Procurar ver o melhor custo benefício para se ter duplicidade de histórias (ter o mensal e o encadernado com a mesma história) ou investir em um novo produto ainda não lido. Enfim, como colecionador, o mercado de quadrinhos nunca teve tanta opção e materiais de tamanha qualidade, mas nós também nunca tivemos condição de bancar tanta coisa !




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