Surge um novo Vigilante chamado Homem Hidrico

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Na manhã do dia 14 de outubro, o motorista de caminhão Fábio Roberto dos Santos, 37, chegou ao local onde trabalha, em Diadema (Grande SP), abasteceu o caminhão-pipa, mas não o levou para atender as demandas da empresa como de costume. Sem pedir autorização, ele dirigiu até o Jardim Novo Pantanal (Zona Sul de SP), onde mora, e distribuiu 16 mil litros d’água para cerca de 800 pessoas. O bairro estava sem água havia quatro dias.


“Amanhã eu vou dar um jeito”, disse Fábio para a mãe um dia antes, na noite de segunda-feira, dia 13. Ao G1, o motorista contou que considerou a possibilidade de advertência, suspensão e até demissão, e mesmo assim decidiu seguir em frente com o plano de socorro aos vizinhos. “A vontade de ajudar o pessoal lá falou mais alto”, disse. Na sexta-feira, dia 10, começou a faltar água no bairro.
Sábado, sem água. Domingo, dia das crianças, sem água. “No domingo, foi feita uma brincadeira para as crianças lá, e foi um dia absurdamente quente. Quem tinha caixa consumiu muita água, com a esperança de que a água já voltasse no domingo à noite, pelo menos. Acumulou criança, roupa, banheiro, e chegamos na segunda-feira sem água. Cheguei em casa na segunda a noite, sem água. A situação já era crítica no bairro inteiro”.
O motorista encheu o tanque com 16 mil litros de água potável, ao custo de R$ 78, com o dinheiro do próprio bolso. Esse valor é válido para quem já tem o caminhão-pipa, só para coletar a água. "Se você liga para a empresa e contrata para levar no seu prédio, no seu condomínio, aí envolve outras coisas, o custo de operação do caminhão, combustível, seguro por km rodado, salário do motorista, distância percorrida, envolve tudo isso". Com o acréscimo por esses serviços, o preço de um tanque cheio sobe para uma média de R$ 600, segundo Fábio.
Ele conta que antes de estacionar o caminhão, a fila começou a se formar na rua. “As pessoas antes mesmo de eu encontrar lugar para parar já saíam com o balde na mão, um negócio absurdo”. Fábio disse que não imaginou que fosse aparecer tanta gente e teve receio que algo pudesse acontecer. “Fiquei com medo de perder o controle da situação, as pessoas tomarem posse do caminhão, coisas desse tipo.

A ação durou cerca de 3h30. No final, segundo a estimativa de Fábio, aproximadamente 800 pessoas receberam água. Um caso em especial chamou a atenção do motorista. Um adolescente perguntou: “Moço, o caminhão vai descer lá para a outra parte do bairro?”. Ao ouvir que não seria possível, o jovem explicou que queria levar água para uma cadeirante que morava do outro lado do bairro e não teria como chegar ao local. “Essa parte acabou comigo”, desabafou Fábio.
A água voltou apenas no dia seguinte, às 15h da quarta-feira, dia 15. O motorista disse que a empresa pensou em demiti-lo, mas mudou de ideia. Ainda assim, ele faria tudo de novo. “Se fosse para repetir aquele dia eu não mudaria nada, nenhuma vírgula”. Como a história teve uma boa repercussão, o funcionário acredita que deixou uma lição: “Mostrar que dá para tocar uma empresa valorizando as pessoas”

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