Adeus, Halloween Jack




Estava sendo programada para hoje ser escrita uma resenha sobre o novo filme de Star Wars e como o hype está fazendo as pessoas acharem um filme mediano para bom, perfeito. Contudo, algo muito mais relevante do que qualquer coisa referente a franquia de George Lucas aconteceu: morreu David Bowie, aos 69 anos, no dia 10 de janeiro de 2016, dois dias depois do seu aniversário e do lançamento do seu último álbum, "Blackstar". Esse vai ser mais um daqueles posts musicais, então terá várias musiquinhas para vocês ouvirem acompanhando o post, capitche?



Nascido em 8 de janeiro do ano a 69 anos atrás, David Bowie foi um dos mais versáteis artistas da música pop, criatura de um experimentalismo musical alucinante e de uma capacidade de composição extraordinária. Como muita gente na segunda metade da década de 60, ele foi altamente influenciado pela contra-cultura e a fase experimental dos Beatles, além de beber de muitas fontes como os próprios Rolling Stones, Bob Dylan, a psicodelia de Hendrix, além de vários outros nomes da filosofia, como o alemão Nietzsche - que incrivelmente não usei o Google para escrever o nome - como Aleister Crowley, Andy Warhol - muito provavelmente está escrito errado algum desses nomes, mas não importa - dentre outros. Esse caldo de influências estava presente e pode ser percebido em muitas de suas letras. Várias de suas letras são bem viscerais, outras bastante poéticas, outras com belas mensagens por trás, etc.

Apesar de todas essas influências, Bowie não se limitou ao rock, mas sim adentrou também no mundo da música popular, tornando-se um ponto de referência nela para uma porrada de artista que vieram a seguir depois, sendo uma referência no estilo glam - que vai ser abordado pelo New York Dolls, Queen, Twister Sister, Kiss, Secos e Molhados e também mais recentemente observa-se ele em artistas como a Rihanna e a Lady Gaga - como também por seus álbuns conceituais - Diamond Dogs, Ziggy Stardust, Alladin Sane também dependendo da forma como se enxerga ele - revolucionando toda uma questão na estilística musical da época.

É até algo bem senso comum entre muitos fãs e críticos, mas ainda assim meu álbum favorito dele é o The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, pois para mim, além de ser o primeiro contato com um álbum inteiro dele, as quatro primeiras faixas me conquistaram e são putas músicas. Além disso, o encerramento com Rock'n Roll Suicide corrobora para esse soco no estômago que foi essa obra, a qual sempre escuto e reescuto. Atualmente ela tem para o estagiário que vos escreve um significado de um retrato daquela geração em que ele viveu, para mim: uma geração que buscava salvar o mundo pelo rock com mensagens de amor, mas que terminaram sucumbindo a própria luxuria e prazeres carnais, virando vários Messias leprosos, tal qual Ziggy vira, Messias que não mais conseguem salvar - conceito que talvez ele tenha tirado do Assim Falou Zaratrusta - terminando por se entregar a essa vida estrelas que os deslumbrou. Mas enfim, essa é a minha interpretação louca, cada um com a sua loucura e suas referências bíbliacas/jungwanas.



Falar que ele, assim como os fãs do Batman, muito provavelmente dava a ré no quibe também é interessante para falar da construção dessa imagem de androgenia que veio a marcar a cultura, a exemplo do famoso Boy George, por exemplo, e de várias outras personas que figuraram a cultura anos para a frente. Essa dualidade sexual dele, que vai além da simples bissexualidade dele mas também no seu visual, na sua forma de atuação no palco que era realmente uma atuação: a performance teatral, onde ele realmente interpretava as personagens de suas músicas: que também eram várias, sempre mudando. Sua produção é altamente vasta, desde o fim da década de 60 com o álbum David Bowie até transontontem.



É difícil explicar de onde vem tanta produtividade na expressão cultural do rock como o pop de 60 e 70 (ABBA sendo a maior banda pop, Gran Master Flash and The Furious Five criando o rap, Michael Jackson surgindo, o Queen experimentando música clássica entranhada no rock, o punk surgindo, dentre muitos outros): alguns podem apontar o clima de guerra fria e a necessidade de se expressar ante o fim do mundo, outros a necessidade de se quebrar com os paradigmas existentes numa renovação filosófica e ainda podem dizer que é a democracia nos meios musicais garantida pelo avanço do capital que gerou com que mais pessoas tivessem a oportunidade de criar, ou o conforto social criado no pós segunda guerra nos pais europeus e na América - do norte, por favor - que proporcionaram aos jovens poder se arriscar em atividades mais lúdicas, etc. Não gosto da maiorias dessas explicações sociológicas pois eles podem acabar por camuflar a genialidade presente no indivíduo, que era um inconformado consigo mesmo, sempre na busca de mudança, além delas esquecerem tantos outros surtos culturais tão grandiosos como dos grandes nomes da música erudita, o renascimento carolígno e os vários "surtos" de produção na Idade Média, etc.

O que mais se pode desejar é que o homem das estrelas que espera nos céus saiba que foi um prazer conhecermos ele e ter nossas mentes explodidas. No mais, se deseja pêsames para a família dele e que os fãs não fiquem polvando e os respeitem. Até o próximo post, valew e falows.











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