Rebirth: O fim dos novos 52 !

Em 1981 (sim eu gosto de história e também de história em quadrinhos), uma carta endereçada ao título do Lanterna Verde, levou Marv Wolfman (então escritor do título) a ser questionado da falta de coerência nas histórias entre terras paralelas da editora. O autor da carta chegou a ser irônico em 'remendar' Wolfman, considerando que ele mesmo teria se confundindo com tantas terras em uma de suas histórias.
Wolfman começou ali uma empreitada de 4 anos que culminaria em 'Crise nas infinitas terras'. Publicada em 1985, comemorando 50 anos da DC Comics, e sendo chamado pelo corpo editorial de 'a história que definiria o rumo de mais 50 anos'.

Realmente isso não aconteceu, analisando a história da editora 30 anos após o evento e temos mais 'crises' e mais medidas editoriais para mudar todo o suor de Wolfman e cia. Novos 52 ! Sim, esqueçamos todas as demais questões sobre a volta do Multiverso DC e focamos apenas em um novo começo. Com a proposta de ser uma revitalização de seus quadrinhos e o último de seus reboots, nas palavras de Jim Lee. Medida que segue a linha do que a Marvel fez ao 0 suas numerações é a iniciativa REBIRTH, que não altera a cronologia da editora mas zera todas as edições e deve retirar de cena um ou outro título.
Sim, se a 'Crise' já foi por água abaixo com os Novos 52, agora é os Novos 52 que estão saindo de cena depois de 4 anos da iniciativa.


Qual o balanço dos Novos 52?!


Os Novos 52 tiveram muitos pró e contras, como toda decisão deste nível. Vamos argumentar sobre; Um dos principais objetivos da Editora (como a de todas atualmente) é oportunizar seus personagens a novos leitores, por isso reiniciar numerações e recontar origens é um ponto alto. Neste ponto as coisas aqueceram principalmente no começo da iniciativa. Nomes de peso como Jim Lee em Liga da Justiça e Grant Morrison em Superman, foram métodos de puxar vendas. Mesmo assim, uma enxurrada de títulos de risco aproveitando a esteira surgiram para serem cancelados em pouco tempo.
Outro ponto positivo nos Novos 52 foi aproveitar a remodernização dos personagens para revitalizar personagens importantes e 'desprezados' da editora. Como no caso de Aquaman, que ganhou um belo run nas mãos de Geoff Johns e Ivan Reis. Inclusive desbancando em vendas todos os títulos da Marvel em alguns meses. Por falar em equipes criativas, grata surpresa foi a dupla Francis Manapul e Brian Bucellato que fizeram um ótimo trabalho em Flash.
Claro que de negativo ficam os erros de cronologia, pois apesar de 'zerar' a história da DC, ela não o fez totalmente principalmente no que tange ao universo do Batman (o que dizer dos 3 Robins?). Inclusive esse furo de cronologia que afetou demais Tim Drake, teve até edição as pressas da editora em um dos roteiros - Na qual ele menciona que é  o Robin (que foi alterado para ele dizer que é o Robin Vermelho) - conforme imagem abaixo:

Alguns personagens também tiveram de ceder espaço no começo da iniciativa, e por pura pressão dos fãs foram realocados ao universo corrente. Como no caso de Wally West, que ficou por 3 anos no Limbo dos Novos 52 até surgir reformulado (com direito a mudança de Etnia).

As reformulações também constituíram mudanças extremas em alguns personagens, novamente na onda da DC de contemplar toda a gama de personagens dentro do 'UDC 52'. O que obviamente é algo ruim, quando temos personagens que simplesmente destoam do objetivo do universo regular, afinal não foram concebidos para tal. Podemos citar principalmente neste caso Lobo, que foi completamente desfigurado na mudança, e Constantine, que perdeu completamente a identidade quanto personagem na saída da Vertigo.

Temos também  a questão da banalização sexual, que ficou acima da média em algumas publicações. As cenas picantes entre Batman e Mulher Gato logo na estreia do título da felina, além da própria estética que para muitos era nociva (lembram da polêmica pose em uma das capas !?) - foram apenas o estopim.  Estelar foi uma das heroínas mais atingida pela mudança de personalidade, que favoreceu esse contexto mencionado anteriormente. A personagem aparecia nas páginas desfilando nua ou seminua, em poses provocativas e flertando ou se oferecendo a todos os personagens masculinos em que dividia espaço na história. E isso não é de maneira mascarada, literalmente ela se ofereceu para fazer sexo nas páginas dos quadrinhos - imagem na galeria.

 


Personagens como a Batgirl também tiveram uma mudança brusca de Status Quo, buscando atingir novos leitores principalmente. Barbara Gordon deixou de ser a Oráculo, após recuperar os movimentos da perna numa cirurgia experimental. Mesmo assim ainda tentaram nos roteiros demonstrar o trauma dela ter sido baleada e sequestrada pelo Coringa (em Piada Mortal). E claro, Piada Mortal é uma das histórias mais icônicas do Batman, mas foi mais lembrada recentemente pela treta da capa do brasileiro Rafael Albuquerque !

A Mulher-Gato também teve uma mudança considerável em seu passado, que também é uma forma de aproveitar melhor a mitologia do Batman formada em histórias clássicas dos últimos anos. Selina se tornou uma legítima herdeira da máfia , e primeiro tudo levava a crer que era filha de Carmine Falconi (seu desafeto em Ano Um, e personagem crucial de Longo dia das Bruxas que insinua o fato dela poder realmente ser sua filha), o que não se consumou como verdade.

Por falar do universo do Morcego, ele teve em seu título principal a dupla Snyder e Capullo em praticamente todas as edições. Snyder trabalhou bem seus dois primeiros arcos apresentando a Corte das Corujas com boas soluções gráficas e apresentando um novo vilão a galeria do Batman. Mas teve uma controversa versão do Coringa com o rosto costurado ! Um final meia boca no arco Morte em Família, um péssimo Ano Zero, um enrolado e abaixo do nível Fim de Jogo !

 Outro escritor que ficou por um bom tempo a frente de um título do jovem universo DC foi Brian Azzarello, em uma aclamada fase da Mulher-Maravilha. O que claro colocou novamente a heroína em destaque após amargar anos de más histórias depois da fase de George Perez. Nada de genial nos arcos de Azzarello, como no primeiro com a conspiração acerca de um filho bastardo de Zeus (que está sumido), mas uma boa condução de roteiros e uma excepcional arte de Cliff Chiang deram conta de fazer a revista ser uma das grandes surpresas positivas do reboot. Bom mesmo assim não esquecemos que reaproveitaram uma ideia dos anos 80 de um romance dela com o Super. 


  
 Por falar no Super, quando você imaginou ver o grande herói do universo de calça jeans ? Pois bem, além dela uma camisa simples e uma bota de peão foram as vestes de um Super que logo trajou uma (armadura quase) roupa de combate mais próxima a seu tradicional uniforme. A ideia de Morrison, em mostrar os primeiros anos do Super ainda sem controle total dos poderes, sangrando, sem voar e ainda conhecendo sua origem. O que dizer sobre isso ? Aproveitaram mal Grant Morrison, que teve uma grande história em All Star Superman, o Super já teve milhares de contos de origens (Byrne, Waid, Johns). Estratégia como a do Batman (que não teve necessariamente um reinicio nos Novos 52) poderia ter sido adotada, afinal todo mundo sabe quem é o Superman !! E assim ceder espaço para Morrison poder trabalhar histórias mais enriquecedoras ao personagem dentro de toda sua cronologia. O destaque negativo fica para a fase, abaixo do nível, do Dan Jurgens com o personagem.  

Esse é o post de hoje com uma breve visão do universo ainda bebê da DC e que já está indo para a 'morte' com uma nova iniciativa. Deixem seus comentários sobre o que houve de melhor ou de pior nos NOVOS 52 !!

E Renan comenta como tá o Super do Romitinha (eu sei que tu lê scans) !




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