A Filosofia de Jornada nas Estrelas


Vamos ir audaciosamente onde muitos já estiveram o universo de Jornada nas Estrelas, vamos contar um pouco do universo de Jornada antes e depois focaremos no reboot da franquia, não porque eu acho que seja melhor (longe disso), mas porque é um universo novo e paralelo que vai continuar seguindo nos cinemas até a Paramount/CBS quiser rebootar de novo.

Parte 1 Origens.
A Jornada nas Estrelas original segue as aventuras da nave estelar Enterprise em sua jornada por nossa Galaxia, 400 anos no futuro do ano de sua estreia em 1966, onde a mais poderosa nave da humanidade tem como tripulação uma mulher negra, um russo, um japonês, um meio alienígena e seu capitão maluco beleza James T Kirk.

A serie original se baseava na filosofia humanista, que se caracteriza por uma profunda fé na humanidade e sua capacidade de serem racionais, para seu criador a humanidade terá uma longa e árdua jornada, mas eventualmente ira amadurecer, se tornando uma civilização responsável, sem pobreza ou guerras internas.

Não só o seriado juntou diferentes etnias e raças dentro da Enterprise,  incluindo um russo dentro de sua tripulação em uma época em que a guerra fria estava em seu auge, mas suas historias de viagens pelo espaço eram utilizadas para dar lições morais sobre os problemas sociais de sua época (que infelizmente continuam atuais).

Até mesmo a historia da humanidade é muitas vezes julgada por essas lições, focada muitas vezes nas diversas e inúmeras guerras sem sentido feitas pela humanidade, até mesmo nossa tendencia que continua no futuro de agirmos como crianças petulantes usando armas de destruição em massa.

Se a serie original de Jornada nas Estrelas foi feita para abraçar o que era diferente para contribuir para um futuro unificado, a versão do diretor JJ Abrahams é fazer esse universo reagir as ramificações desse futuro que parece na verdade sombrio.
Parte 2 O universo alternativo do reboot de jornada nas estrelas ou Abraham verse
O universo alternativo dos Reboots é criado quando um Spock envelhecido da linha do tempo original tenta impedir a destruição de uma galaxia por causa de uma supernova antes dela atingir o mundo capital dos Romulanos (é não faz muito sentido, mas vamos deixar para lá por enquanto), Spock falha em salvar o planeta capital dos Romulanos a tempo, mas cria um buraco negro para consumir a supernova o que leva ele e um grupo de romulanos mineradores renegados para o passado (é eu sei ainda não faz muito sentido, mas calma ai).

A Jornada nas Estrelas fazia perguntas profundas morais como por exemplo se poderíamos deixar rivalidades de décadas ou seculos para trás e vivemos juntos em paz (como no filme onde os Klingons e a Federação chegam a um tratado de paz, incorporando o Império Klingon na Federação).

Ou por exemplo se deveríamos interferir no crescimento evolucionário natural de uma especie ou cultura ( como mostrado em inúmeros episódios sobre a primeira diretriz em diversas series da franquia), 

Já a nova versão de jornada nas estrelas nesse universo paralelo é sobre brigas internas e terrorismo Galáctico, em uma versão bastante conservadora de uma sociedade pós 11 de setembro só que situada no futuro.

No primeiro filme do Reboot ou universo alternativo, Nero (Um romulano renegado do universo original) culpa os Vulcanos pela destruição de seu planeta natal (O planeta capital dos Romulanos),  agindo de maneira genocida com uma super arma destroi o planeta natal dos romulanos, Já Khan no segundo filme da franquia por vingança destrói um instituto cientifico e sai matando diversos civis inocentes, em outras palavras se as series antigas de Jornada nas Estrelas tinham em vista um futuro de uma união de raças e avanços tecnológicos que levavam a humanidade bem como a Federação em uma quase utopia, já o novo universo mostra o quanto sombrio é esse universo novo com diversas raças habitando nele e suas tecnologias destrutivas como mineiros de um futuro alternativo capazes de destruir um mundo pacifico, monstros esperando na sombras e uma frágil sociedade humana que perdeu sua capacidade de agir unida (veja o almirante criando uma super arma para provocar uma guerra interna e eventualmente levar a humanidade a conquistar outros mundos no 2 filme da franquia).
(os Borgs)
Parte 3 A Fria Logica
Mas vamos tentar ver o lado positivo desse novo universo (ou tentar),  uma frase de Spock no universo original ecoa pelo universo do reboot, "a necessidade de muitos supera a necessidades de poucos", isso também é uma das premissas do utilitarianismo, uma filosofia criada pelo filosofo inglês Jeremy Brentham(filosofo e jurista inglês que viveu de 1748 a 1832), que queria um sistema que gerasse a maior quantidade de felicidade para a maior quantidade de pessoas, incrivelmente Spock no original e no reboot adota essa filosofia humana de vida, no 2 filme isso é confrontado com o fato de que Khan mata quantos inocentes forem necessários para salvar sua família super humana, bem como Nero é capaz de exterminar uma raça inteira por vingança, mesmo com esses exemplos de moralidade definida, existe a tentativa de criar dilemas morais.

Filósofos adoram fazer um teste com as pessoas para confrontar o utilitarianismo que consiste em imagina se um trem vai atingir um grupo de pessoas, mas você tem uma alavanca que pode desviar o trem matando somente uma pessoa, o que você vai escolher? a sua escolha é moralmente boa ou má? realmente "a necessidade de muitos ultrapassa a de poucos" ? E se essa unica pessoa pudesse ser responsável por mudar a humanidade, valera a pena matar o grupo de pessoas? Não importa a escolha você é responsável diretamente pela morte de uma ou mais pessoas.

Ou então seguindo essa filosofia que tal matar uma pessoa para salvar um grupo de pessoas doando seus órgãos? Em Jornada nas Estrelas tanto no original quanto no reboot vemos um dilema moral onde o capitão constantemente tem que escolher entre sacrificar sua tripulação para salvar estranhos ou ignorar e agir como um verdadeiro babaca.
Parte 4 Os testes da vida
O teste do Kobayashi Maru para cadetes gera um dilema parecido, para assim aprenderem sobre os dilemas de serem um capitão, no original Kirk hackeia o teste para que os oficiais inimigos tenham medo dele, já no novo ele simplesmente Hackeia para vencer deixando Spock que criou o teste na versão do reboot puto da vida, mas isso voltaria a atormentar Kirk no futuro em ambos os universos quando ele enfrentaria Khan tendo um impacto mais pessoal no universo original, quando perde seu melhor amigo Spock, mas no reboot ele sacrifica a si mesmo e é ressuscitado pelo soro curador de morte do medico da nave, mas o que podemos aprender com tudo isso? Que nem sempre essa filosofia bonita do utilitarianismo age de maneira boa, afinal é ela que torna Khan o que ele é em ambos os universos,  por mais que Khan fosse um ditador no universo original ele eliminou a pobreza e guerra durante o seu reino,  Jornada nas estrelas no mostra um futuro utópico onde as pessoas criam utopias pela amizade e ideias, mas também matam pessoas por causa de amizade e ideias.

O mesmo acontece com a logica vulcana, ao mesmo tempo que Spock é celebrado por sua logica, vários episódios mostram como a logica fria pode ser estupida e ignorante, isso é o que é mais legal em jornada nas estrelas, ao invés de tentar espalhar uma só verdade ou filosofia, ela debate muitas e diferentes verdades e filosofias, fazendo o telespectador pensar por si só e não tendo uma verdade absoluta, vale lembrar por exemplo o quanto a humanidade sofrer para atingir o seu estado em Jornada e o fato dos Ferengis que possui uma sociedade extremamente capitalista e nada unificada nunca terem tido guerras mundiais, racismo ou campos de concentração.

Hannah Arendis uma filosofa em seus diversos livros mostrou os perigos do utilitarianismo dizendo que "os crimes contra a humanidade sempre podem ser justificados dizendo que o certo significa ser útil ou bom para maioria das partes envolvidas" entre outras coisas, apesar do utilitarianismo ser a filosofia usada por Spock, jornada nas estrelas sempre foi critico de respostas fáceis para grandes perguntas, mostrando por exemplo os perigos do pensamento puro utilitário, como por exemplo é o pensamento do maior inimigo da federação que são os Borgs.

Afinal os Borgs são a definição final do utilitarianismo onde o beneficio da maioria (a sobrevivência por assimilação) vence  a necessidade de poucos (individualidade), o que torna os Borgs tão assustadores é justamente sua filosofia fria e logica utilitarianista, excluindo a necessidade de poucos, pela necessidade da maioria, 
Parte 5 Conclusão
Tendo por essa visão talvez se Nero tivesse destruído todos os vulcanos no passado, isso poderia fazer com que os Romulanos se preocupassem somente em salvar seu planeta capital, evitando assim o desastre e talvez incontáveis guerras com a federação, gerando mais paz na Galaxia, ou simplesmente uma fria logica de que Romulus tem 18 bilhões de pessoas e Vulcano tem 6 bilhões de pessoas, a destruição de Vulcano não seria o ato mais logico e utilitário a se fazer para salvar mais pessoas?

Por sorte mesmo nos dois universos cada escolha que os personagens fazem usando essa filosofia resulta em uma perda pessoal, seja pelo pai de Kirk se sacrificando para que sua família e tripulação sobrevivesse no Reboot, dando uma resposta que se for para utilizar essa filosofia o mais correto é sacrificar a sua vida pela maioria e não sacrificar a vida dos outros, mas isso é apenas uma resposta de milhares dentro da enorme franquia de Jornada nas Estrelas para esses dilemas morais.

Uma das razões de Jornada nas Estrelas sobreviver por 50 anos, é pelo fato de falar sobre as dificuldades da vida moderna,  os problemas de um mundo cada vez mais sem fronteiras e mais rápido, onde as crenças mais firmes sobre a vida e o mundo podem ou devem ser questionadas, onde não existem verdades absolutas e apenas pontos de vistas.

Bom é isso ai,  apenas passamos superficialmente pela filosofia  de Jornada nas Estrelas afinal existem milhares de livros sobre o tema e diversos ângulos a serem abordados, espero que tenham gostado e digam o que acharam dessa viagem na maionese toda.

Confira Também...

0 comentários