Crítica Esquadrão Suicida - Sem Spoilers


Hora de falarmos da grande estreia do mês - O que temos de bom e de ruim na nova aposta da DC o Esquadrão Suicida  ? 



A premissa para escrever esse post foi, mediante a enxurrada de opiniões negativas que o filme gerou, preferi não ver ou ouvir nenhuma crítica antes de ir a sala de cinema. Isto para não ocorrer algum tipo de indução à pré julgamentos. Também não é a ideia tomar partido na briga DC/Marvel nos cinemas. Vamos apenas falar de Esquadrão Suicida e talvez trazer algum exemplo de outros filmes do gênero.


Sinopse

É simples: Devido à revelação da existência de super seres como o Superman,  os militares norte-americanos através de Amanda Waller, decidem aprovar uma força-tarefa para casos emergenciais. Porém usarão nessa equipe assassinos e bandidos que tem como motivação redução de pena, e no caso de descumprimento de suas ordens podem ser punidos com a morte.


O filme abre bem, temos uma ótima apresentação em flashbacks de cada integrante através de suas fichas criminais. Já temos aqui um bom uso da excelente trilha sonora e a interpretação segura de Viola Davis, dois pontos positivos iniciais para a conta. Após isso vamos contemplando o dia a dia dos escolhidos na prisão, podemos observar assim boa parte da loucura da Arlequina, até o momento de  sua reunião para a primeira grande missão no comando de Rick Flag (Joel Kinnaman).
A fotografia é sombria a trilha sonora de primeira qualidade, com momentos de uma ópera rock/gótica dando uma boa dose de drama. O filme tenta vender a ideia de que os os nomes reunidos para a Força X são dos mais temidos e cruéis vilões que se tem conhecimento.

Assim começamos a ter problemas no meio da franquia, quando as falas e o roteiro nos induzem a reverter essa imagem vendo o Esquadrão Suicida como heróis. Inclusive isso é fortemente defendido na subtrama do Pistoleiro, revelando seu vinculo familiar com a filha e com frases ridiculamente falsas como : “alguém que já matou tanto quanto eu não conseguiria dormir se soubesse o que é o amor". É por isso que a cena do bar, momento do filme em que o grupo resolve se assumir como tal, acaba sendo desconfortável por querer defender os aspectos e escolhas de cada vilão da equipe. Eles são vilões, deixem eles serem vilões.



Elenco

O elenco do filme é muito bom no papel, mas ressalvo algumas observações. Arlequina da Margot Robbie é realmente a Arlequina que todos queremos ver (tirando um ou outro exagero em alguma fala). Sua interação com o Coringa é bastante explorada, revelando detalhes de sua origem que segue a cronologia dos Novos 52. Ela e  Pistoleiro são ao lado de Amanda Waller os protagonistas da trama, sobrando aos demais meras participações irrisórias. Will Smith é o Will Smith, seu personagem não decepciona mas sua atuação não entrega nada novo.  O contrato do ator pesa aqui, como ele deve ser o protagonista e ter uma determinada quantidade de horas em cena, acabam explorando muito mais do personagem do que os demais. Aliás tentando vender a ideia ao fim, de sensibilização com as ações do personagem (que é o maior assassino em série do mundo), o transformando num 'herói'. Viola Davis dá um show à parte,  enquanto os demais alternam uma outra cena de sobra na franquia. Assim sentimos falta de ver mais da Katana, por exemplo, que aparece no decorrer do filme tem uma breve introdução e mal tem falas.
Jared Leto encarna um Coringa totalmente diferente dos antecessores, talvez uma estratégia da DC de diferenciar seu novo universo cinematográfico. A atuação de Leto não é ruim, mas a caracterização do Coringa não convence, ele parece ser um gangster estilo Rei do Crime e não o lunático completo que encontramos em HQs como Asilo Arkham. A ambição do Coringa não é poder e dinheiro, e retratá-lo assim dificulta a sua aceitação no longa. Chega a ser patética a participação de Slipknot no longa, mas para quem leu os primeiros arcos da equipe nos quadrinhos verá semelhança em sua participação. Jai Courtney ficou como o 'cara' das piadinhas, uma tentativa de aliviar a tensão do filme o tempo todo. Sua participação maior é o fan service numa participação de um personagem famoso da DC (!!!!), fora isso o Capitão Bumerangue está perdido no filme. Diablo é um dos melhores personagens fora os protagonistas já citados, sua história e conflito prendem o telespectador, mas o filme decide ficar martelando nisso o suficiente para cansar.
Já a pior atuação do filme de longe é de Cara Delevingne, a Magia, que para sua importância a trama acaba prejudicando o longa. Sua atuação nas cenas mais importantes dão vergonha alheia.



Aparição do Batman


Sim ele aparece, como previsto, mas acaba tomando proporções desnecessárias no filme. A velha mania de mostrar o rosto famoso em tudo. Por fim o Batman tem mais de uma cena e conexão com grande parte do elenco. Lembrem-se Crocodilo, Pistoleiro, Coringa e Arlequina são em suma vilões do morcego.

Roteiro


Como mencionado anteriormente o roteiro privilegia o Pistoleiro e Arlequina, levando em conta os atores que interpretam esses personagens. O filme tem uma subtrama mostrada em flashbacks da relação da Arlequina com o Coringa e outra subtrama da relação familiar do Pistoleiro. Algumas observações que podem ser feitas são com relação a má preparação do vilão, e o desfecho bem abaixo do que o filme mostrou no  1º ato. O filme mergulha em alguns clichês, na tentativa de fazer os vilões serem mocinhos ao olho do público. Não dá para culpar totalmente os roteiros, pois tudo indica que o filme sofreu cortes de última hora, visto as imagens de trailer que ficaram de fora  (algumas do Coringa por exemplo). As inserções de piada estilo 'Marvel' chamam atenção para a tentativa da DC de minimizar o impacto negativo de seu sombrio Batman vs Superman.
Algumas coisas incomodam muito no longa, e talvez sejam esse pontos os pontos que pesaram para a negativa recepção do filme. A que mais me incomodou é termos um vilão nível Liga da Justiça para enfrentar o Esquadrão, realmente isso deixou deslocado o papel dos personagens menos 'poderosos' no embate. Além disso incomoda a utilização em demasia dos feixes caindo do céu em todo filme do gênero (ou similares como Transformers). Poderia ter sido amenizado. São pontos que se melhor trabalhados teriam dado um resultado final totalmente diferente.



Conclusão


Esquadrão Suicida não é um filme ruim, mas ficou devendo com relação a proposta e a esperança de um longa que não traduziu em tela o que prometeu nos trailers. Mesmo assim vale a pena, não veio para salvar a DC, tem uma cena pós crédito que conversa com o futuro cinematográfico da editora, é divertido e merece ser visto. Alterna entre ótimos momentos e um final fraco, tem um bom elenco com mal aproveitamento de toda equipe devida a atenção aos protagonistas (Scott Eastwood ficou sumido, sumido). Tem boas caracterizações do Pistoleiro, Amanda Waler, Arlequina e a esperança de ver algo 'mais' do Coringa que não mostrou totalmente a que veio no longa. Conta com uma boa dose de ação sem ser maçante, peca em alguns clichês melodramáticos e poderia ter se permitido mais caso fosse +18.
Contudo ainda é um bom filme e não me desagradou como fã da série original de John Ostrander, aliás há muitos easter eggs inclusive com ele - procure com atenção....











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