Artista faz novela gráfica sobre vida de menino de rua em Belém

"Castanha do Pará", novela gráfica de Gidalti Moura Jr. (Foto: Divulgação / Gidalti Moura Jr.)
"Castanha do Pará", de Gidalti Moura Jr, retrata drama na capital do Pará. Obra está em campanha de financiamento para ser publicada.

A vida de um jovem da periferia, criado solto entre as barracas do mercado do Ver-o-peso em Belém, é retratada no traço e cores do artista visual Gidalti Moura Jr. na novela gráfica "Castanha do Pará". A obra foi produzida ao longo de três anos, que resultaram em 80 páginas de aquarela, e passa por campanha de financiamento coletivo na internet para que possa ser publicada em 2017.
Gidalti nasceu em Minas Gerais, mas se identifica como belenense. "Não tenho nada de lá, exceto a certidão de nascimento. Fui pequeno para Belém e falo chiado", brinca o artista, que escolheu a capital do Pará como musa inspiradora para contar a história do garoto com cabeça de urubu - algo que é propositalmente inexplicado na história, podendo ser uma característica física ou metáfora para o seu abandono. "Não toco no assunto. Ele simplesmente tem.cabeça de urubu e ninguém estranha", explica Gidalti.
Castanha do Pará, novela gráfica de gidalti moura (Foto: Divulgação / Gidalti Moura Jr.)
"Castanha do Pará", levou três anos para ser concluída  (Foto: Divulgação / Gidalti Moura Jr.)


Como gente grande
Além da cabeça de urubu, outra característica marcante do personagem é o seu comportamento. "Meu personagem, o Castanha, é na verdade uma criança. No entanto, vive como gente grande, dona do próprio destino", afirma o artista, que aponta esta característica como uma consequência da realidade empobrecida em que Castanha vive.

"Penso que as crianças precisam de um pouco mais de atenção em nossa sociedade. Nao consigo aceitar tanta gente fora da escola, sofrendo violências e abusos entre outras coisas. Ao mesmo tempo que apresento o Castanha como vítima, mostro que ele pode ser malicioso em virtude dos caminhos que sua vida tomou. Tudo isso, espero eu, sem ser melodramático. A história tem muito de humor, irônia e do jeito malandro dos meninos de periferia. Sem coitadismo, mas é impossível não repensar nossa condição", questiona.

Castanha do Pará de Gidalti Moura Jr. (Foto: Divulgação / Gidalti Moura Jr.)
Cenário diferente
"Castanha" surgiu após uma guinada na carreira do artista que sonhava em desenhar super-herois. "Gosto de desenhar desde muito criança! Sempre tive em casa acesso à papel, canetinhas, tintas. No início eu queria fazer quadrinhos de super-heróis, mas felizmente a vida acabou me levando a desenvolver um trabalho mais pessoal", explica Gidalti.

"A possibilidade de contar minhas próprias histórias e materializá-las da maneira que eu quiser é algo que dá vazão a minha criatividade", afirma o autor. Penso que as riquezas e a realidade do Norte precisam ser mais conhecidas por todo o Brasil. Procuro sempre conhecer meu país a fundo. O Brasil é uma potência conceitual e muitos autores exploram essas particularidades em suas obras. Pretendo fazer o mesmo em relação ao norte em um projeto de quadrinhos que explora a realidade urbana de uma cidade amazônica", define.
Gidalti conta que a obra é influenciada por sua vivência no bairro mais antigo de Belém. "Morei na Cidade Velha quando garoto. O bairro é muito diferente de tudo que ja vi no Brasil e no mundo. A proximidade com o nosso tradicional mercado Ver-o-peso é muito interessante. Acho legal lugares que fogem da homogeneização provocada pela mundialização. Lugares que apesar das padronizações impostas pela tecnologia, pelo capitalismo ou outras tendencias globais, ainda mantém suas tradições", disse

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