Review: Shadow Warrior 2 é um FPS fora do comum


Depois de tantos shooters clássicos dos anos 90 sofrendo remakes, minhas expectativas sobre Shadow Warrior 2 definitivamente não eram baixas. Ainda mais se nos lembrarmos de que as novas versões de Wolfenstein e Doom foram aclamadas pela crítica, em outras palavras, meu ninja piadista predileto não poderia me decepcionar.


Para quem não conhece, Shadow Warrior 2 é uma antiga franquia criada no final da década de 90 pela 3D Realms, mas que, posteriormente, foi comprada pela Flying Wild Hog e hoje é distribuída pela Devolver Digital, que atualmente trabalha vários títulos de qualidade, inclusive muitos indies como Hot Line Miami e Bro Force.

Trevas em meio ao futuro

A história de Shadow Warrior 2 se passa após o ninja Lo Wang, ter rompido a aliança com seu ex-chefe, Zilla, e os antigos deuses do Reino das Sombras. Apesar das nobres intenções, os esforços do anti-herói de por fim as trevas do mundo, resultaram em uma nova e estranha sociedade, na qual humanos e demônios vivem lado a lado.

O guerreiro que outrora era temido, agora vive nas florestas em constante mutação, fora do alcance dos inimigos e das luzes de neon da metrópole cibernética de Zilla, tentando se sustentar como mercenário dos clãs locais da Yakuza.


Apesar de ser extremamente rasa, a história é embebedada de humor negro e sarcasmo, dando um sabor a mais ao enredo. O que realmente me incomodou, todavia, foi o fato do cenário ser transportado para uma realidade futurista, uma vez que, a impressão transmitida pela série, é que esta ocorria em uma realidade alternativa, onde presente e passado se confundiam.

Muito mais do que um shooter

A primeira vista, jogo parece ser um shooter FPS clichê, devido à presença de um arsenal composto de armas de fogo e sua visão em primeira pessoa. Mas não se engane, o grande destaque é, na verdade, a utilização de armas brancas orientais como espadas e shurikens. Além de outras armas bem peculiares, como Braçadeira de Garra e A Fera, que são laminas feitas a partir de garras de demônios.

A partir de 2013, a série sofreu um reboot e foram adicionados alguns elementos de RPG, como a possibilidade de melhorar cada uma de suas armas, deixando-as mais poderosas, rápidas e adicionando alguns efeitos devastadores as mesmas. Além da possibilidade de aumentar sua vida e suas Habilidades. Pode parecer pouca coisa, mas na época estes elementos, contribuíram para evidenciar o game, de modo que ele foi considerado por muitos sites especializados, como um dos melhores títulos daquele ano.


Em 2016, no entanto, os shooters FPS retornaram ao mercado com força total, o que poderia fazer com que o game simplesmente ficasse perdido em meio de inúmeros títulos do gênero. Entretanto, mais uma vez, Shadow Warrior me surpreendeu, trazendo grandes novidades como fases geradas aleatoriamente, um novo sistema de tracking, “cortes procedurais”, um modo cooperativo online e ainda mais elementos de RPG. Além, é claro, de investir em um aumento colossal o seu arsenal.

A geração aleatória de fases aumenta a rejogabilidade, fazendo com que você nunca encare o mesmo desafio duas vezes. Mesmo que você realize repetidamente a mesma missão, a cada nova partida tanto o mapa quanto os inimigos serão distintos.

Mas se você é um jogador da velha guarda e acha que essa inúmeras possibilidades podem deixar suas partidas confusas, o sistema de tracking pode ser muito útil. Esse sistema consiste em linhas pontilhadas dispostas no mapa, que ajudam a encontrar o objetivo da missão. Em outras palavras, chega de se perder nessas imensas fases, basta literalmente seguir um ponto de cada vez.


Os “cortes procedurais” também contribuem para que cada batalha possa ser uma nova experiência, além de dar asas a sua criatividade sanguinária. Agora é possível utilizar armas brancas para decepar qualquer membro dos adversários, sejam eles humanos ou demônios, ou, se preferir, usar de artilharia pesada para abrir buracos em quaisquer partes de seus corpos.

Inclusive, ferramentas para executar toda essa carnificina é que não falta. De espadas a bazucas, o jogo conta com mais de setenta armas diferentes. Além disso, é possível aprimora-las, aplicando a estas uma espécie de runa, chamada de melhoria. Cada arma aceita até três desses upgrades que, como o próprio nome diz, melhoram seu desempenho, atribuindo-lhe novas propriedades, como dano elemental e a possibilidade de atirar vários projeteis de uma só vez.


O número de Habilidades também cresceu consideravelmente desde o último jogo da série. Cada uma delas agora é simbolizada por uma carta e podem ser adquiridas ao se completar uma missão ou derrotar um adversário poderoso. Seja como for, a cada nível de personagem conquistado, é possível aplicar, pelo menos um ponto em alguma das habilidades que você já possui.

O jogo só não é mecanicamente perfeito, devido aos bugs e problemas de desempenho no modo online que quebram com o ritmo das jogatinas. Mesmo com uma recente atualização, o título ainda sofre repentinas de quedas de FPS e o congelamento dos inimigos que, ás vezes, faz com que estes simplesmente fiquem imóveis durante alguns segundos.


O grande destaque do game, todavia, fica por conta do modo cooperativo online, que permite realizar partidas com até quatro jogadores simultâneos. Para manter esse modo balanceado e prazeroso, Shadow Warrior 2 herda muitas mecânicas de grandes RPGs, como loot individual, dificuldade compatível com o número de jogadores e a anulação do Friendly Fire.

Uma surpresa no Reino das Sombras

De fato, o jogo não decepciona e é tão bom ou melhor do que os outros remakes do gênero, mas ele faz isso de uma maneira inesperada, focando-se no modo cooperativo, geração aleatória de fases e elementos de RPG, ao invés de se preocupar com o multiplayer PvP, como os demais FPS. Sendo assim, eu recomendo Shadow Warrior 2 a todos que tem o mínimo interesse em Shooters e RPGs de ação.


O que tem de melhor:
  • Trama recheada piadas de humor negro;
  • Modo cooperativo online;
  • Geração aleatória;
  • "Corte procedural";
  • Novo sistema de tracking.

O que foi meio zica:
  • História rasa;
  • Bugs;
  • Problemas de desempenho.
O Review de Shadow Warrior 2 foi realizado a partir de uma chave cedida pela Devolver Digital para a versão de PC.


Autor: Manoel Siqueira
Capa: Peterson Barros