Two and half man - Season finale: Demorou, demorou, e, vejam vocês

Sim, não é novidade para ninguém que depois de 12 temporadas, Two and half man chegou ao fim no ano de 2015. Pois é, mas depois de me sentir traído, resolvi a abandonar a série e não conferir o episódio derradeiro... até esta semana.

Como acontece com muitos programas americanos, TAHM teve um início maravilhoso: com estrondosa audiência e sendo bastante elogiada pela crítica "especializada," o programa rapidamente conquistou uma considerável gama de fãs. 
Ora, bolas, a série era realmente muito boa. O roteiro, de um certo ponto de vista, era até simplista: Colocaram o Charile Sheen interpretando ele mesmo, adicionaram uma criança e um ótimo ator de comédia, o Jon Cryer. Não tinha como dar errado. E, de fato, não deu. 
Mas, como diriam os sábios que nada manjam: "Se está muito bom, vai dar merda!"


Quando resolveram fazer uma série do Charlie Sheen, esqueceram de avisar ao ator que ele deveria inverter as coisas: ser o Charlie em cena (o transão, beberrão, etc) e interpretar o bom moço fora dela. Isso seria ótimo para todos. Seria. O problema é que Charlie Sheen era um cara sem controle, e não era justamente na época em que estava ganhando um milhão por cada episódio de uma série, que ele ia maneirar. Logicamente: "Ia dar merda!"
Na oitava temporada a coisa toda ficou insustentável. Com Sheen falando mal da produção e principalmente do criador da série, Chuck Lorre, foi inevitável a precoce demissão do ator. 

Com o astro principal fora, o caminho mais claro e plausível era o programa não ter uma continuação. Sim, mas TAHM era a garotinha dos olhos da Warner. Apesar de todas as adversidades, a série ainda dava um retorno considerável para o canal. A solução? Renovar a atração e trazer o Ashton Kutcher para ser o novo protagonista. 


PORRA! Não, Warner! Se era para continuar, que transformassem logo o Jon Cryer em protagonista e dessem mais espaço para o elenco de apoio. Trazer o Ashton Kutcher e alçá-lo como cabeça da série foi praticamente uma traição com os fãs e com o Jon Cryer. A cagada foi tão grande e evidente, que mesmo o Kutcher recebendo o maior salário, era o Cryer quem estava levando o programa nas costas.
E para piorar as coisas, o moleque que era engraçadinho no começo da série, Angus T Jones, cresceu e: mais evidente que a sua feiura, ficou sendo a sua falta de talento. Ficou claro que ele era um ótimo ator... mirim. E como se não fosse bastante, o jovem entrou para uma seita religiosa e deu uma "surtada" falando mal da série e pedindo para que ninguém mais assistisse ao programa. Conclusão: foi limado também.
Com dois atores do trio original fora da série, não dava mais para continuar, não é mesmo? Errado. A série foi sendo renovada até a 12º temporada, até o seu derradeiro episódio.


Pois é: demorou, demorou, mas depois da saída do Charlie Sheen, Two and half man teve outra vez um ótimo episódio... e foi o capítulo final da série.
Talvez por terem a certeza de que não fariam aquilo mais, os atores e roteiristas resolveram trabalhar de verdade naquele dia. Com participações de quase todos que passaram pelo programa (teve até o Arnold Schwarzenegger), o episódio é uma grande homenagem a série. A trama toda fica girando em torno da descoberta da "não morte" do Charlie (o Harper) e a dúvida sobre qual seria a atitude do personagem para com os moradores da sua antiga casa. O interessante é que o tempo todo os atores fazem piadinhas e referências sobre eles mesmos ou acontecimentos das suas vidas pessoais e profissionais. Com direito à frases do tipo - "Como piadas tão ruins sustentaram um programa por tanto tempo?" - o episódio foi uma enorme sequência de "quebra da quarta parede." E isso ficava claro a cada olhada dos atores para a câmera depois de falarem frases de efeito.

Sim, o episódio realmente estava ótimo e caminhando para dar um final digno para Two and half man. Porém, como não poderia deixar de ser: resolveram cagar com tudo antes dos créditos subirem.


Sabe aquele mistério sobre a aparição do Charlie? Pois é, poderia ter continuado só como mistério mesmo. Não precisava forçar a barra colocando um dublê do ator. Todos sabíamos que, apesar de algumas tentativas, Charlie Sheen não assinou nenhum contrato para uma - sequer - breve aparição.
É, mas por alguma razão e talvez um certo ressentimento, o produtor Chuck Lorre achou que deveria dar um verdadeiro final para o Charlie Harper. E, na penúltima cena de Two and Half Man, vemos um Charlie de costas indo em direção à porta da sua antiga casa. Quando estava prestes a tocar a campainha: um PIANO cai sobre o personagem e ponto. Na sequência aparece o próprio Chuck Lorre comemorando e, sem demora... cai outro piano em cima do criador da série. PORRAAAAAAAAA!


E foi assim, com uma traição final que Two and Half Man foi concluída. Até no momento que parecia ser de alegria e nostalgia para os fãs, os produtores resolveram dar uma última decepção. Uma pena para um dos melhores programas da década passada. Apesar de ser só mais um exemplo de algo muito bom que não soube a hora de parar. 
Recomendo o episódio para todos aqueles que gostam dos personagens antigos da série. Pela nostalgia, vale muito a pena!

 Até a próxima!!!!!!!