A Diversidade forçada está matando os quadrinhos?

Quadrinhos são um tipo de leitura barata, nela diversos tipos de historias são escritas focando na diversidade, mas como qualquer tema deve ter um bom roteiro e é nisso que iremos focar nessa postagem simples e direta.

Não meus caros a diversidade nunca foi um problema nos quadrinhos, mas sim sua abordagem, personagem negros ou de minorias sempre foram surgindo nos quadrinhos, para começar Lothar muito antes da existência do Super Homem já existia nos quadrinhos como aliado de Mandrake e um personagem negro que foi uma das inspirações do Pantera Negra, sendo esse um dos primeiros personagens negros a não ser visto como um esteriótipo e levado a serio.

Muitos roteiristas se consideram aptos a escrever sobre diversidade e minorias por serem dessas áreas, mas poucos realmente conseguem, Peter David foi um dos escritores tanto pela DC quanto pela Marvel comics e é considerado até mesmo pelo falecido Dwayne McDuffie (criador do Super Choque e da Milestonemedia) como o melhor escritor que abordou sobre minorias e diversidade, entenda Peter David é um homem branco, heterossexual e cristão, mas conseguiu em suas historias fazer uma ligação entre os leitores e seus personagens, de diferentes credos, raças e sexualidades, tanto que seu casal gay Shattestar e Rictor na fase de X-factor são até hoje lembrados como um dos casais mais humanos homossexuais das hqs.
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                                                       Um super choque de diversidade
Dwayne McDuffie disse que aprendeu muito com a Milestone Media, especialmente na abordagem do super choque, que era originalmente um jovem revoltado e membro de gangue que odiava brancos, que foi modificado pelo seu próprio criador no formato que acabou saindo na animação, segundo Dwayne McDuffie "o maior erro de um escritor é tentar fazer o personagem uma representação da sua raça, personagens brancos são apresentados como apenas mais um cara que pode ter aspectos, mas que não tenta ser a representação da raça branca, a humanidade do personagem é algo muito mais importante do que criar um padrão de comportamento", ele usou como exemplo o seu personagem que nos quadrinhos fez mais sucesso que o super choque chamado Ícone que era um negro, republicano de direita, com os mesmos valores morais que o super homem, que queria ajudar a comunidade negra do seu país e do mundo, mas que tinha uma parceira de combate ao crime chamada rocket que tinha uma visão completamente diferente de mundo dele, os dois abordavam essas questões onde ninguém estava 100 por cento certo de nada, como é na vida real (mais tarde tando Ícone quanto Rocket e Super choque foram aparecer na serie Justiça Jovem e tiveram muitos episódios escritos por peter david).

O sucesso incontestável de super choque nas animações é devido a sua humanidade e tentar sair dos clichês heroicos, ele vivia em uma família estável apesar de uma tragedia pessoal (sua mãe era enfermeira e trabalhava na emergência, sendo baleada durante uma briga de gangues), possuía um amigo branco que o ajudava, era uma pessoa de bom coração que sabia que nem sempre os problemas tinha uma solução fácil, sendo considerado o herói de uma geração de jovens que o acompanhavam na tv, tanto brancos quanto negros, sendo um dos maiores exemplos de diversidade modernos.
                                     
                                                             O casal gay humano de peter david
A diversidade deve ser tema de quadrinhos, sendo saudável e produtivo que se aborde tais temas, mas a forçação de barra por mudanças afeta os leitores, mesmo aqueles que até gostam dessas mudanças, vamos falar primeiro dos novos 52 que foi uma mudança radical que inicialmente deu certo mas foi desagradando tanto leitores como críticos por suas mudanças forçadas de personalidades, aquilo pareceu desconectar os leitores de quadrinhos novos e antigos de seus personagens cujas novas personalidades não pareciam mais criveis para o leitor, a Marvel recentemente tem sofrido do mesmo problema em sua marvel 2.0, são tantas mudanças e sagas em cima de sagas que os seus leitores não  reconhecem mais os personagens, especialmente depois de Guerras Secretas 2 que foi praticamente um reboot da editora mas o pior é que foi incompleto deixando mais confuso ainda o seu universo.

Mudanças forçadas como a entrada de novos personagens subsistindo os antigos tem desagrado os leitores, mas não pelas mudanças em si mas a forma que foram feitas, os leitores da marvel e da dc estão acostumados com mudanças, novos personagens assumindo mantos e etc, mas o modo que foi feito sempre é questionável, como por exemplo o Azrael se tornar o novo Batman da forma que foi feita é até hoje visto de maneira negativa, do mesmo modo que as mudanças atuais estão sendo mal vistas pelos leitores.

A DC continuou com sua diversidade, mas resolveu trabalhar mais na personalidade tradicional dos seus personagens, criando historias que tentam voltar ao status quo tradicional do universo dc, trazendo inclusive o super homem pos crise, aqualad original e wally west original de volta em rebirth, mas ao mesmo tempo mantendo mudanças como o wally west e aqualad novos 52 negros, tentando trabalhar melhor suas personalidades para que serem criveis.
                                        
                                      Capitão America agente da Hidra, uma mudança desnecessária 
A Marvel não parece se importar com nada disso, fazendo mudanças radicais que vão sair nas redes sociais, mas sofrendo rejeição de diversos leitores que tradicionalmente só seguiam a marvel, alguns deles buscaram a DC, vale lembrar que nem a DC quanto a Marvel precisam da venda de quadrinhos pois são partes de conglomerados maiores como a Warner e a Disney respectivamente, que estão atualmente explorando comercialmente em outras mídias os personagens, porem ao que parece a tática da marvel nos quadrinhos é criar mudanças bruscas e novos personagens que possam ser vendidos em outras mídias, sem se importar com a historia ou o contexto das mudanças, isso ficou mais claro na confusa revista da Harpia que foi feita pelo sucesso da personagem na serie de tv agentes of shield (que quase ganhou um spin off dela), mas que a roteirista mudou radicalmente a personagem em um roteiro confuso que não durou, não vendendo quase nada e sendo cancelada na 8 edição, revelando que a personagem sofreu tais mudanças para tentar torna-la mais comercialmente vendável em outras mídias, mas que não funcionou.
                                                 
             Bruce Banner ( O Hulk) morre com uma flecha na testa, outra mudança desessenciaria 
O Capitão America ter virado um agente da Hidra é só uma amostra das mudanças radicais que ao que parece foram feitas para forçar os fãs a aceitarem mudanças bruscas, muitos fãs rejeitaram o falcão ter se tornado o novo capitão America, mesmo steve rogers tendo ficado idoso ou outros personagens, mas não pelo fato do novo capitão America ser negro, mas sim que existiam outros personagens negros como soro de super soldado por exemplo que poderia substitui-lo, mas a ideia dos editores foi uma mudança forçada envolvendo o falcão.

Quadrinhos nunca vão morrer, pode ser que o meio físico (edições físicas) deixem de existir mas o tema e estilo vai continuar, o mesmo vale para os quadrinhos de super heróis que tem gerado muito lucro em outras mídias, mas os leitores de quadrinhos podem se afastar de historias forçadas e isso é bem saudável e consegue manter o nível de qualidade das historias, espero que tenha sido claro nessa postagem, somos todos fãs de quadrinhos e queremos sempre o melhor para essa mídia.