Resenha: (Planeta) Thor (e Hulk) Ragnarok, por Professor Pinto



Estamos aqui pra fazer uma resenha sobre o (de acordo com a Wikipédia) décimo sétimo filme do Universo Cinematográfico Marvel, onde o Senhor  Deus do Trovão tenta evitar o fim de Asgard.



Nesta segunda-feira fui bater expediente no cinema por convite da patroa (civil que acompanha os universos cinematográficos). Fomos assistir 3D (não tinha 2D disponível) dubladão (não tenho frescura, e estávamos levando nossa filha, que tem 4 anos).



O filme já começa mostrando o tom que vai seguir: ação desenfreada, galhofa tremenda e plots que renderiam um filme sendo jogados fora de modo até bem trabalhado, mas que deixa uma sensação estranha de que poderia ser melhor trabalhada. 

O Surtur véio que o pinto não sobe mais é bacana, até lembrando a porradaria em Jotunheim do primeiro filme. Mas renderia um filme inteiro na luta contra os diabões destruidores de mundos. Também é estranha a solução em uma frase do plot deixado em Vingadores 2, onde o Thor simplesmente diz que não achou as Joias do Infinito e que o filme vai ser sobre outra coisa. Na mesma pegada está o Executor, que provavelmente todo mundo esperava um porradeiro foda ao ver que seria vivido pelo Karl Urban, mas que acabou sendo um capacho cagalhão no nível do pedreiro que foge pra Terra e é encontrado pelos Agentes da Shield na primeira (acho) temporada.



O (rápido) arco da morte de Odin além de ser mais um plot jogado fora mostra outra característica do filme (perceptíveis apenas por quem acompanhou notícias e trailers): as mudanças feitas na pós-produção. Em vez de ser um "mendigo louco" perdido por Nova Iorque por conta da tramoia do Loki, (que também renderia um filme todo e um confronto final épico entre os irmãos adotivos), temos apenas um asilo demolido, uma cena com o Doutor Estranho onde se vê que "a diva" vai servir de escada pras piadas em vez de vilão maquiavélico e um eremita da montanha virando purpurina (e voltando algumas vezes como mentor ao longo do filme). Sobre o Catra mitológico fica também no vácuo o porquê dele ter decidido parar de querer conquistar a porra toda e ter virado um "pacifista" que mandou pra um colégio interno a filha que continuou tendo como objetivo a conquista. #BardavidMito



Hela consegue impor respeito e render cenas de ação foda, numa atuação onde Cate Blanchett demonstra estar perfeitamente à vontade no papel de uma vilã que ao mesmo tempo busca vingança pessoal e a megalomania de quem quer dominar o multiverso (e parece ter poder suficiente pra isso). Os infinitos golpes, magias e espadas/lanças arremessadas parecem ter saído diretamente de uma campanha nível épico de D&D. Na dublagem, Carla Pompílio (Catelyn Stark em Game of Thrones) consegue imprimir um estilo debochado, irônico e de saco cheio de uma galera que não pode com ela ficar resistindo. Ela será lembrada por ter matado os 3 guerreiros. #RIPVolstag


Outro ponto controverso do filme é o tempo grande demais dado a Sakaar. Na prática o filme tem mais tempo de Planeta Hulk do que de Ragnarok. A sensação é que daria pra resolver tudo bem mais rapidamente, dando mais espaço para a batalha por Asgard. O Colecionador  Grão Mestre é quase um vilão com mais tempo de tela do que a Hela, a "surpresa" de quem é o campeão demora mais tempo do que a explicação das motivações que levarão ao Ragnarok e a tentativa de fugir do planeta aparecem mais do que a resistência organizada por Heimdall. O ponto positivo desse tempo grande é o conflito psicológico da luta entre Hulk e Banner pela liberdade de serem eles mesmos sem o controle do alter-ego (que é ao mesmo tempo quase um antagonista).

Gif foda feito pelos Super Amiches

No mais, o filme seguiu a fórmula Guardiões da Galáxia, inclusive no fato de que não acrescenta (quase?) nada ao universo Marvel. Poderia ser substituído por duas frases em Vingadores 3 (ou não, caso as especulações se confirmem e o Thanos seja dono da nave que aparece na cena pós-créditos e os asgardianos morram no espaço). Boa diversão, mas uma série de escolhas poderiam ser diferentes se não quisessem fazer só um Trapalhões no espaço (com Didi como Thor, Dedé como Loki, Mussum como Heimdall, Zacarias como Hulk, Xuxa como Valquíria, Sargento Pincel como Odin e Vera Fisher como Hela).

A única diferença é no meme da página de negros maravilhosos que eu administro, porque a contagem subiu pra 5 filmes.

Possibilidade do post sumir "misteriosamente"
igual a imagem nas várias vezes que postei na página

Como filme nota 8,5, como parte do Universo Marvel e última chance de prequel cósmico pra Guerra Infinita nota 3,0.

guest author area 51  Richard Christian - Prof. Pinto
Ativista anti-racismo muito conhecido no grupo de quadrinhos da deep web. É capaz de citar referências de cultura afro-pop fazendo analogias com mitologia egípcia e funk. É um dos poucos papais do grupo. . Twitter / Facebook