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Opnião: Marvel e DC vivem num descenso criativo?



Que motivos fazem as maiores editoras do gênero  'Herói' sofrerem com criticas ao seu conteúdo, mesmo com a evolução inegável da nona arte?



 A pergunta parece simples, mas é muito abrangente. Numa reflexão sobre a história de Marvel e DC,  encontramos como principal força motriz de mudanças significativas um corpo editorial corajoso e artistas com ideias inovadoras e até ousadas.
    Foi assim que ,durante a passagem dos anos, o amadurecimento de personagens e a remodelação da mídia em si rumou para novas fronteiras. Isso é visível em arcos simbólicos como Lanterna/Arqueiro Verde de Dennis O'Neil, ou a morte de Gwen Stacy por Gerry Conway.  E assim que nomes como Jim Shooter e o próprio O'Neil, tornaram-se lendários quando no futuro liberaram as amarras criativas como editores, permitindo obras únicas e memoráveis. Apostas como Saga da Fênix, Ronin, Watchmen, Cavaleiro das Trevas, Queda de Murdock, Piada Mortal e outras, refletem a inflexão provocada no direcionamento das editoras.
E essas iniciativas somadas a obras autorais de nomes como Howard Chaykin, Jim Starlin, Will Eisner e outros, que culminaram no esforço da DC na chamada invasão britânica. O respiro criativo que deu origem a Vertigo e um novo nicho de histórias mostrou que novos olhares para determinados personagens poderia ser a luz no fim do túnel para histórias arrastadas e sem 'brilho'.
                     
      Não é a toa que essas obras atualmente são icônicas e que a maior parte desses artistas é celebrado como o panteão de ouro por nossa geração. Passada a turbulenta década de 90 com altos e baixos,  as editoras tem a  inglória missão de reverter os problemas criativos em meio ao inicio de uma era cinematográfica de heróis. No entanto o leitor mais maduro sentiu-se mais feliz ao ver a série animada da Liga da Justiça do que ler as aventuras do grupo em seu gibi mensal. O movimento noventista que poluiu muitas páginas com artes pomposas e roteiros de 'álbum de figurinha' (perdoe essa comparação), popularizou boa parte dos artistas que hoje produzem e comandam a nova geração da Marvel e DC.


     Apesar de grandes desenhistas, Joe Quesada e Jim Lee , juntos dos demais manda chuvas das editoras, priorizaram a estética que eles tanto estilizaram em seus traços. Lee por exemplo 'modernizou' robotizando as fantasias dos heróis da DC. Enquanto a venda de bonecos e as capas das HQs ficaram ótimas, os Novos 52 foi mais uma iniciativa  'cambaleante' que vimos cair por terra. Não sejamos injustos, coisas boas haviam (uma boa fase da Mulher Maravilha, um bom run do Aquaman entre outros lampejos), e em outros casos mesmo o esforço de renomados artistas não foram suficiente. Aliás, é assim que a engrenagem produtiva das editoras estão rodando. Alguns nomes de peso para tentar manter a credibilidade e a desconstrução/subversão de clássicos e obras que tentam manter leitores antigos. Dessa maneira que Watchmen torna-se a espinha dorsal do Renascimento ou resgatam Cavaleiro das Trevas e Frank Miller para uma releitura sem muito a acrescentar.

  Grandes sucessos criativos recentes passam pela mão de artistas competentes que querem mostrar trabalho e se lançar no mercado, quando isso funciona com maestria as próprias editoras jogam no lixo o esforço. Vide Guerra Civil, que foi um marco criativo quando em seu lançamento, e teve seu nome estampando uma pífia/duvidosa continuação. As editoras devem deixar de insistir na fórmula do reboot como resolução de problemas criativos ou mesmo na lógica de espremer obras que já entornaram o que podiam. Precisam enxergar os quadrinhos para os próximos anos, deixar que artistas criativos e com 'sangue nos olhos' possam ampliar horizontes do que já fora feito. E não se prender a tornar o universo um espelho das intenções cinematográficas.
  Se comparada, mesmo que brevemente ao boom criativo do inicio da era moderna dos quadrinhos, as editoras parecem estar em descenso criativo, mas não trata-se de uma simples comparação de gerações. O material humano e autoral, os comics undergrounds, a proliferação de ideias, a internet fortaleceram a mídia de maneira incomensurável e temos uma geração de artistas nivelados e com grandes obras (mesmo que nem todos artistas e obras sejam geniais). Mas há tempos não tínhamos tamanha enxurrada de obras e autores expoentes das mais variadas vertentes. Jeff Lemire é um grande exemplo desta afirmativa, um artista com um traço underground, com obras variadas de drama à ficção e sem amarras buscando sempre o êxito de fazer a diferença. Não à toa, que o próprio é um dos artistas mais bem sucedidos dentro do mainstream nos últimos anos, pois as editoras cada vez mais necessitam desse arrojo em seu meio, algo que seus mentores abdicaram. Pensar que as obras mais bem sucedidas dos últimos anos não estão no eixo Marvel e DC, ou que as principais obras destas é se dá com artistas com linguagem inovadora (Sr. Milagre - Tom King, Gavião Arqueiro - Matt Fraction, Visão - Tom King são exemplos), denota que nunca sofremos tanto criativamente no mainstream, quando temos tantas obras únicas despontando ao redor (o já citado Lemire conseguiu com Black Hammer o Eisner de melhor série nova em 2017 )


       A fórmula do resgate as sagas, emprestando um nome já usado a uma capa de revista, esta saturada, os homens a frente das decisões criativas precisam deixar de relembrar suas próprias carreiras na indústria e ceder espaço a mudanças que propiciem o frescor as histórias de heróis.


guest author area 51 Erick Cavalcante
Poeta amador, músico frustrado, colecionador de HQ,s, roteirista de histórias nunca lidas.Vive recluso em Asgard tomando hidromel e arquitetando posts que não dão views. Twitter/Facebook