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Opinião do Leitor - Pulp Fiction, Tempo de Violência

Surpreendente, essa seria minha palavra para descrever Pulp Fiction, o segundo filme de Tarantino. Um filme rico em seu elenco, roteiro, trilha sonora, fotografia e tudo mais sob a direção de um dos maiores nomes do cinema.  Um filme atemporal que foi um dos mais impactantes dos anos 90 que gerou, e ainda gera inúmeras citações em filmes e séries, e até mesmo em nossas conversas do dia-a-dia.

Pulp Fiction trouxe à década de 90 uma visão absolutamente diferente do que estavam acostumados. Cães de Aluguel conquistou admiradores até hoje com seu poder de persuadir o espectador, dando o privilégio da imaginação, mas Pulp Fiction superou as expectativas e se tornou um ícone pop do cinema.

O contexto do filme não-linear nos faz mergulhar em histórias diferentes ao mesmo tempo, e vemos a trama de seu ponto de vista temporal ou de conhecimento da situação até aquele determinado momento. Em cada seguimento do longa, conhecemos cada personagem de forma diferenciada e vemos separadamente como todos têm seus problemas e situações diárias que precisam ser vencidas. Sem contar a maneira incrível como tudo se encaixa no final do filme.

Que Tarantino é um gênio do cinema todos sabemos, talvez você pode até não gostar dele nem de Pulp Fiction, mas você provavelmente reconhece o valor desse filme para o mundo cinematográfico. O casting do filme é incrível, contando com Uma Thurman, John Travolta, Samuel L. Jackson, Bruce Willis, Christopher Walker e o próprio Quentin Tarantino. Cada um desenvolveu seu papel de forma icônica, trazendo características que compuseram personagens que permanecem até hoje.


Nenhum dos personagens é tratado com desdém ou desinteresse pelo roteiro ou direção, e a forma como todos impactam a todos é de uma precisão incrível. A direção foi o que elevou o cineasta a um novo patamar dentro de Hollywood. Tarantino conseguiu o inusitado, ele atraiu o grande público e a crítica da época com uma obra que descrevia com exatidão (obviamente de forma não literal), o povo americano nos anos 90. O impacto da imigração, criminalidade, problemas psicológicos, preconceito racial e etc., está tudo ali.

Cada diálogo é cuidadosamente talhado para funcionar com seu personagem e a respectiva interação com o outro personagem. Há de tudo um pouco, além da incrível capacidade de Tarantino de inserir menções à cultura pop a todo momento. As frases sobre as pequenas diferenças entre Europa e Estados Unidos, sobre os “atos medievais” de Marsellus em cima de Zed, sobre a citação da Bíblia que Jules usa antes de matar e diversas outras são tão vazias de conteúdo quanto repletas de ritmo, ao ponto de terem facilmente entrado na cultura geral de cinéfilos e, também, de espectadores casuais. E tudo isso casado com uma escolha cirúrgica de canções para cada momento, cada situação, em uma trilha sonora antológica.

A trilha sonora do filme é tão incrível quanto o roteiro e as demais linguagens da produção. Cumpre seu papel em cada segundo, elas conduzem as cenas e nós somos conduzidos cada vez mais através delas, a escolha perfeita de “You never can tell – Chuck Berry” para a dança de Mia Wallace (Uma Thurman) e Vincent Veja (John Travolta) no concurso de Twist, ou a “Girl You’ll Be a Woman Soon – Urge Overkill” enquanto Mia espera Vincent sair do banheiro, tempo suficiente para quase causar uma tragédia, literalmente. Ou até mesmo a incrível “Misirlou – Dick Dale” enquanto a Honey Bunny (Amanda Plummer) e o Pumpkin (Tim Roth) assaltam a lanchonete logo no início do filme. Cada música traz uma sensação diferente em cada cena, tudo friamente calculado.


Cada frame desse ícone traz um turbilhão de histórias por traz, não é à toa que foi superpremiado e é lembrado até hoje. Tarantino se supera a cada ano, cada filme dele é absolutamente diferente, mas ao mesmo tempo traz a sua personalidade. Pulp Fiction é um marco no cinema moderno, serve como inspiração e é merecido.


Autor:
Gabriel Martins - Leitor do HQFan

O HQFan sempre recebe contatos de leitores, com opiniões interessantes; alguns preferem se expressar com Artigos, como o Gabriel Martins, que nos encaminhou este brilhante texto sobre o filme de Quentin Tarantino. Você acha que ele deve ser um redator do HQFan? Deixe sua opinião nos comentários...