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O fim da VERTIGO -Um retrospecto sobre o icônico selo






 A linha VERTIGO da DC Comics, por anos como sinônimo de boas histórias, com grandes nomes do mercado de quadrinhos,esta se aposentando após 26 anos.

     A notícia não chega a ser uma surpresa, nos últimos anos a VERTIGO teve uma redução drástica no número de lançamentos, viu a IMAGE tomar o seu papel na disputa por quadrinhos autorais e a repentina adequação de personagens emblemáticos como Constantine para o universo regular (aquele na qual a DC publica a linha de heróis). Apesar disso, não deixa de provocar um sentimento de tristeza, principalmente para os leitores que estão acompanhando os quadrinhos nas transições da década de 80 e 90 no Brasil. Se hoje a enxurrada de materiais autorais dos mais diversos gêneros é uma realidade aos leitores mais jovens, houve essa época que materiais ditos 'adultos' e com roteiros 'sofisticados' eram algo até então não experimentado no meio. Para os leitores que leram Superamigos e estranharam aquele personagem verde coberto de musgo e sua trajetória em meio à todos os terrores imagináveis, percebia ali algo diferente, uma semente brotando (com perdão do trocadilho) para os novos tempos.
Não podemos esquecer que a decisão editorial da DC é percussora para essa realização, a possibilidade de remodelar seus personagens' B'  pelas mãos de autores com uma total liberdade criativa foram o mote para o surgimento da linha editorial focada em histórias diferentes.



      Neil Gaiman, Grant Morrison, Alan Moore, Jamie Delano, Garth Ennis e diversos outros autores emprestaram seus talentos para criação de obras que permeiam os quadrinhos, sendo ainda hoje expressivas. Foram 26 anos e obras como Monstro do Pantano, Sandman, Preacher, Invisíveis, Patrulha do Destino, Fábulas, Hellblazer, Transmetropolitan, Y o último Homem e outras. A mudança foi tamanha que a linha chegou a ter publicações mensais regulares no Brasil, como no caso da Saga do Monstro do Pantano (em formatinho e formato americano), Sandman pela editora Globo e a Vertigo pela Abril e posteriormente pela Panini. É inegável que as mudanças sedimentadas pela linha foram uma porta para uma transformação imensa nos quadrinhos que oportunizaram aos autores revigorar a nona arte. Era um novo terreno sendo explorado, era o alvorecer de uma fase única que os leitores presenciaram lá na máquina de escrever de Deus Ex Machina.



   É importante destacar que o fim da VERTIGO é motivado por questões extra editoriais, em principal o fato da Warner ter dificuldades em adaptar os títulos já que os mesmos tem propriedade de direitos intelectuais com os autores. Em tempos que séries (Preacher, Patrulha do Destino e etc), e adaptações cinematográficas são cada vez mais comuns, a mudança exigida nos padrões de contrato afugentou grandes nomes de continuar publicando na editora. Some-se a isso o fato de que o exemplo da VERTIGO, foi sabiamente usado por editoras rivais como a IDW, a Dark Horse e a IMAGE, replicando as questões de liberdade criativa e cedendo os direitos das obras para os autores, e temos uma agravante maior para este fim premeditado. Autores já vinham reclamando da condição de  pagamento e dos contratos, a editora mãe da linha, Karen Berger foi desligado e seu sucessor também, ambos partiram para iniciativas parecidas em novas editoras. É importante destacar que os contratos de obras mais antigas podem permitir que as histórias sejam publicadas em outra editora.
    Não vai tardar para outros personagens do selo migrarem para o universo regular da DC. E agora a iniciativa DC Black Label, com remodelações de personagens icônicos tais quais, Batman e Superman, deve assumir o posto de temáticas adultas na editora. O que queremos acreditar que seja uma entrega de bastão, mas que no fundo sabemos que vai ser uma maneira de revisitar o universo regular e vender isso com um aviso de restrição de idade.



     Temos que agradecer a Karen Berger, temos que agradecer a Alan Moore, temos que agradecer a Neil Gaiman, temos que agradecer a VERTIGO. Não nos despedirmos por completo, e sim continuarmos nas terras do sonhar, voltando sempre para revisitar cada obra mágica que ainda nos faz voltar no tempo.