Resenha - Retalhos: uma obra que merece ser lida

Decide resenhar uma história em quadrinhos que foge do eixo mainstream e flerta com o gênero ,(já deturpado em conceito), graphic novel. Vamos falar de Retalhos de Craig Thompson e quem sabe mostrar 'que há vida inteligente' nos quadrinhos. Primeiro é importante dizer, é auto biográfico, é de romance. Talvez olhando pelo lado, vamos falar de uma história de romance não seja atraente para os leitores, mas assim como nosso emblemático Toddy fez em seu lendário post do Frozen, existem histórias que fogem dos estereótipos (mesmo você pensando que seja de menininha) - portanto leia a resenha e confira o material.


Sobre o autor - Nasceu em Traverse City, Michigan, em 1975 e criou-se em uma área rural.  Trabalhou no departamento de design da Dark Horse. Principais obras - Habibi, Retalhos, diversas contribuições em especiais da Dark Horse. Mais sobre ele aqui (site pessoal)


Basicamente Retalhos é a principal obra do autor,  a história mostra a infância de Craig e seu irmão Phil em Wisconsin até um dado momento de sua adolescência. Até aqui parece não ter nada de inovador na proposta, mas é um ledo engano. Retalhos é uma leitura prazerosa e fácil, e simplesmente você se prende a cada detalhe e rapidamente consome suas 592 páginas. A edição em preto e branco não atrapalha a trama, os desenhos de Craig são simples/caricatos e muito diferente para os leitores habituados ao mainstream. Mas a singeleza deles casa de forma única com o tom abordado. É onde entra a genialidade do autor, em toda obra Craig consegue transmitir uma surrealidade pouco visto em quadrinhos mostrando suas experiências, dúvidas e pensamentos de maneira única. 


Craig e Phil brincam na neve de Wisconsin, discutem na cama como fazem os irmãos, ferram um ao outro até o pai trancafiar um deles no temido 'quartinho' e assim vemos de maneira franca como é a criação do autor. Outro ponto é que a família de Craig é extremamente religiosa e toda a criação dele é baseada dessa maneira, podemos ver claramente a pressão exercida em sua mente durante sua infância, seus dilemas e dúvidas com relação a fé e o quanto isso o norteou (inclusive o levando a fazer desenhos para externar muito dos seus pensamentos).  Esse é o lado mais pesado da trama que contrasta com o lado mais puro, já na fase em que o autor conhece uma menina chamada Raina. Ambos se conhecem em um acampamento de um encontro religioso. Assim Retalhos entra na fase em que Craig tem um grande amadurecimento e mudança mediante o seu primeiro amor. Percebe-se que a história é uma homenagem a moça, ambos moravam a quilômetros de distancia e poeticamente trocavam cartas e telefonemas, e Craig desenhava para ela. Mas esses detalhes pormenores são incríveis com todas as descobertas e a maneira como isso é colocado de maneira singela na obra. Retalhos tem tudo, divertida, sincera, poética, inovadora,  uma obra de arte. Difícil não se comover ou colocar-se no lugar de Craig, principalmente quando ele se julga por uma falha como sendo um pecado de morte através do que aprendeu com sua família.



E porque Retalhos? Bom, são reminiscências de infância e adolescência em flashbacks, são retalhos da vida de um garoto do interior que sofreu com preconceitos e com a dificuldade de lidar com os pais. Além disso em certo momento da trama Craig recebe um presente de Raina que tem tudo a ver com o título.  Em entrevista a Globo em 2009 - Craig garantiu que tudo que está em Retalhos é verdade, nada foi inventado para a trama.  


Indico a todos a leitura de Retalhos, que tem um ótimo final e que é sem dúvidas uma das grandes obras de quadrinhos das últimas décadas.

Vencedora de três prêmios Harvey (melhor artista, melhor graphic novel original e melhor cartunista), dois prêmios Eisner (melhor graphic novel e melhor escritor/artista), e, em 2005, do prêmio da crítica da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos.

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