Opinion Zone: Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental (livro e documentário)


Ele tarda e falha miseravelmente, mas os Opinion Zones sempre aparecem alguma hora, mesmo que ninguém os leia. Nessa onda de posts polêmicos que geram views e discussões, venho lhes trazer um post sobre uma obra muito interessante que conheci ano passado, que vai revelar algumas características de pensamento do autor que vós escreve - não que alguém ligue, mas enfim - que é a obra do historiador americano, Thomas E. Woods Jr, Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental. Bom, quem já conhece esse quadro sabe que o que acontece aqui, então como o tema é muito mamiloso, vou colocar entre os parágrafos fotos de "freiras" gostosas. Então abra a sua universidade e vamos me acompanhar.


A obra de história trata da tese do autor de que a civilização Ocidental teve fortíssimas influências não só do cristianismo como da instituição da Igreja Católica. E isso iria muito além de questões religiosas: seriam valores como a caridade, a ciência e até mesmo a economia. Posteriormente ele fez um documentário para a teve onde ele repassa essas informações de uma maneira mais didática, uma verdadeira aula expondo a sua tese. Ele vai refazendo um pouco da história da Igreja em diversos períodos e alguns desses pontos serão analisados aqui.


Já apresentado brevemente a obra, devesse logo relatar que ela tem um caráter de só mostrar questões benéficas dá Igreja. Essa que pode ser uma falha do livro acaba sendo bem executada no documentário, onde ele esclarece que bem que o seu intuito é uma defesa: todo mundo fala ou que a Igreja foi terrível ou fica em cima do muro que ele iria procurar apresentar todos os pontos positivos para aí sim se fazer um bom julgamento. Woods é cristão convertido e se apaixonou pela instituição enquanto estudava sobre ela e resolveu escrever o livro dentro desse contexto.


Não expondo os assuntos dentro da ordem como se encontrava, mas um dos pontos é a questão da ciência. A questão é a de que a Igreja sempre foi uma instituição que negava a ciência e colocou a Europa do medievo em um estado de "trevas", onde o conhecimento era desencorajado e com diversos atrasos com relação ao aos árabes logo ao sul ou em comparação a sociedade dita clássica. Essa seria uma ideia pregada pelos auto chamado iluminados do séc. XVIII, que foi o movimento que ficou conhecido por nós como Iluminismo.


A q1uestão é que existiu um fortíssimo desenvolvimento intelectual na Idade Média e isso vai além do Renascimento Carolígno, começou no séc. XI em diante e pode ser constado com ma diversíssima produção por parte dos membros da Igreja, principalmente depois de ter contato com as obras de época de Roma e da Grécia das quais os monges copistas se dedicaram durante séculos e em muitos casos deram a própria vida para protegê-las. E não só as traduziram como comentavam sobre elas, sendo boa parte do vindouro Direito da época baseado nesses textos que tinham comentários no seu lado feitos por parte dos monges - esqueci o nome certo da prática.

E também na época em que você vai ter próxima ao fim do império Romano também já existia uma forte produção cultural por parte da Igreja, diversos concílios além de diversos pensadores importantíssimos como Agostinho de Hipona, um dos maiores pensadores da história da humanidade, além de ter surgido nessa época o próprio costume de copiar textos antigos. Então o que impediu o desenvolvimento cultural durante diversos períodos da Idade Média? Muito provavelmente o caos políticos e militar que a região vai se tornar depois do fim do Império, com um caos político, falta de uma economia forte e diversas invasões bárbaras por todos os cantos do império, situação da qual a região do que viria a se tornar o Império Árabe vai ser um pouco depois do séc. VII e desfrutar de um ambiente de estabilidade que vai proporcionar o desenvolvimento cultural. Aliás, falando em fim do império de Roma, não é falado no livro mas diversos historiadores mais recentes já refutam a ideia de que o cristianismo foi uma das causas do fim do império, sendo essa própria ideia criada por historiadores iluministas - Edward Gibbons, para ser mais preciso.


Outro ponto é Galileu, que geralmente é usado como prova da repressão a ciência. A questão de Galileu, que é bem mais complexa do que se pensa e não será exposta de forma detalhada aqui, é de que ele não podia provar as suas ideias e vários dos cientistas da época tinham dúvidas com relação a certeza das suas ideias. Além disso o próprio Galileu, mesmo tendo permissão de ensinar sua teoria como teoria e não como a forma certa, acabou arranjando diversos atritos com intelectuais e cientistas da época que foram contra a sua teoria. Galileu não conseguiu provar o heliocentrismo - que só foi provado por Newton bem posteriormente - e nem foi torturado pela Igreja. Anda assim, a decisão da Igreja no caso é uma das várias vergonhas que da instituição. Além disso existe um ambiente de Contra Reforma, onde aí sim vai se ter um acirramento e perseguição talvez próximo do que se imagina da Idade Média. Caso algum leitor tenha curiosidade, posso comentar sobre o caso do Giordano Bruno nos comentários, porque o post está ficando bem grande e ele não cita esse caso, que é outro caso vergonhoso também para a instituição.


Boa parte da repressão que vai se ter posteriormente vai ser com a Contra Reforma, onde além do endossamento do Tribunal do Santo Ofício, vai se ter um resgate de uma exegese da leitura da Bíblia, exigindo uma maior fidelidade ao seu texto e não se interpretando ao bem querer. Vão se cometer diversos excessos por parte da Igreja - e em alguns casos como o anglicanismo das religiões insurgentes - que vai resultar em contestação dessa atitude das instituições religiosas vai resultar na Paz de Westifália, onde o Estado enquanto instituição se fortalece, e o surgimento de um desejo de liberdade religiosa pelos iluministas, que também vai se ter surgido em algum deles uma dose de anticlericismo também, talvez em resposta mesmo a esses excessos.


Depois disso, venho falar sobre a questão dos monges. O argumento de Woods é de que foram os monges quem construiram também parte da infraestrutura europeia, que inclui questões relacionadas a agricultura. Ele fala que os monges reavivaram a agricultura daquela época e a modernizaram, além de ensinar a técnicas desenvolvidas para a população e volta deles. Eles receberam muita terra, mas em sua maioria era terra de baixa qualidade, ficando eles na tarefa de tirar leite de pedra e tentar tornar aquelas terras úteis. Araram solos, desenvolveram novas técnicas de plantio, drenaram pântanos, construiram forjas e fornalhas de muito bom desempenho para a época, eles teriam contribuído muito para a infra estrutura europeia.


Um outro ponto é em relação as mulheres. Pois é, vai começar a treta, se já não tiver começado, nos comentários, caso alguém leia o post, o que é muito difícil já que ele não fala do Batman. Enfim, ele coloca a questão de que o tratamento da mulher naquela época como um avanço e essa é uma questão nova que muitos estudos da Idade Média estão descobrindo mesmo. A questão é que nas sociedades greco-romanas, salvo raros casos, o tratamento com as mulheres era muito mais cruel do que vai ser depois. Havia uma diferenciação entre valor mesmo de homem e mulher, sendo as últimas obOviamente as mais menosprezadas.


Segundo Woods, teria ocorrido uma considerável melhoria com relação ao papel da mulher, que pode ser observado ainda no Império Romano onde o cristianismo era considerado a "religião de mulherzinha", devido a grande aceitação delas com relação a religião. Não só isso como que a mulher teria garantido uma condição de "igual em valor, diferente em função", sendo esta limitada a algumas funções diferentes da dos homens, mas de mesmo valor entre eles. Além disso, tem a própria questão das freiras, que são sacerdotisas que se desenvolvem de forma independente dos homens, apesar de que o celibato das mesmas é algo bem posterior, construção de depois do séc. VII/VIII, e isso vale também para os clérigos. A valorização por ele seria exemplificada com por exemplo a criminalização do infanticídio, onde por conta disso a taxa da aceitação de filhas mulheres seria bem maior.


Enfim, dando agora os meus comentários sobre isso, não quero falar que eu não to dizendo que não existiu discriminação por sexo na Idade Média. Como vi que esse assunto deu muita treta aqui no blog, tive que me fazer um raro esforço de ler um pouco mais sobre o assunto, mas é um pouco mesmo. Bom, pelo que eu estudei, os historiadores estão chegando a conclusão de que as relações homem/mulher eram bem mais complexas do que se pensa. A mulher havia se tornado sujeita de diversos direitos: fazia compras, podia comandar o feudo, já tinha chegado a assumir temporariamente cargos políticos e eclesiásticos altos, etc. Contudo, como ficou dito por mim acima, ainda havia essa divisão de função que acredito - como membro mesmo dessa instituição - que ainda se mantém em alguns setores da sociedade.


Fugindo ainda ao que Woods fala, a própria questão da sexualidade reprimida é algo bem controverso atualmente, visto que questões de castidade eram apenas importantes quando se havia questões patrimoniais e de sucessão envolvidas, sendo que para o grosso da população a sexualidade era bem mais rotineira, sendo bem comuns o que a gente chama atualmente de "amancebado" - o casal se junta e vive como casal sem ser oficializado, com direito a filhos às vezes. Além disso, instrumentos como cintos de castidade são lenda urbana, não sendo citados nem na mais erótica literatura medieval. Quando você vai vai falar desses cintos, eles eram um equipamento bélico para proteger as mulheres de estupros. Além disso, existe uma grande quantidade de mulheres canonizadas a essa época, que adquiriram o posto de santas, que não é um posto qualquer dentro da fé católica. Mulheres trabalhavam ativamente em diversos lugares na Europa


Por outro lado, existe aquela questão da perseguição ao paganismo, no qual a gente costuma colocar diversos cultos celtas e saxões, que colocavam a mulher como a representante da fertilidade - "Ancas de parideira" ISHIN, Renan - só no fim da Idade Média, em um contexto de Reforma/Contra Reforma e diversas crises agrícolas que poderiam ter originado esse ambiente de caça a um culpado, que numa sociedade que apesar de vários avanços ainda tinha uma forte relação com místico, se tornaria bem possível. Além disso, boa parte das perseguições se deram com a desculpa de serem hereges, que seriam práticas adversas ao pregado pelo cânone da Igreja. Tinha também a ideia que era muito divulgada dentro do meio clérigo, talvez para a manutenção da castidade por parte dos clérigos - era a de que a mulher seria uma encarnação do pecado, uma herdeira de Eva, ideia que iria se chocar posteriormente com a santidade da Virgem Maria. Além disso, a questão das "bruxas" muitas vezes eram as tidas curandeiras/parteiras, que tinham um conhecimento tradicional e que às vezes não poderia ser muito bem entendido. Além disso, com o retorno do direito romano pelo Código Civil Justiniano houve algumas perdas de direito por parte delas.

Não estava achando mais imagens de qualidade, então vão ficando os cosplays géricos de anime mesmo.

Contudo, o próprio Tribunal do Santo Ofício era bem mais ameno do que se comumente constuma pensar, tendo as chances de não ir para a pena capital - que a título de passagem foi bem desencorajada na Idade Média e retomada na Idade Moderno por diversos setores que incluem a Igreja nessa loucura que aconteceu em alguns lugares na Contra Reforma e a monarquia britânica com Elizabeth primeira que instituiu pena de morte para vagabundagem - e de receber penas alternativas. A Igreja, isso retomando agora as teses de Woods, teria ajudado a fortalecer a ideia de Direito na Europa.


Isso teria acontecido, de forma bem resumida que eu falarei, com a publicação do Código Canônico e com o surgimento de ideias de Direito Natural mais desenvolvidas no que se tornaria a ideia defendida pelo iluminismo. Começando pelo código canônico, seria uma retomada pela codificação em si, sendo ele tomado como exemplo por diversos dos Estados nacionais que estão começando a surgir. Quanto a ideia de Direito Natural acima do Direito Positivado, isso teria se dado por conta do contato dos jesuístas com o novo mundo, que começaram a especular sobre o assunto no século XVI.


Bom, ideias de um Direito Natural são anteriores ao cristianismo, já sendo discutidas por Sófocles em Antígona e pelo próprio Aristóteles dentro de sua filosofia. Talvez o que Woods quisesse dizer fosse com relação ao fato desse Direito Natural ganhar uma posição superior a do Direito Positivo, que é umas das principais mudanças que vai fazer surgir no futuro uma onda constitucionalista. Mas ainda assim, teria que rever o vídeo em inglês para ver se a confusão foi do tradutor ou ele quis dizer isso mesmo, podendo então ser um engano/erro da parte do autor. Quanto a codificação, é um ponto bastante certo, que se junta ao reavivamento do direito romano, não tenho muitos questionamentos com relação a isso.


Como o texto está ficando muito grande e as imagens de cosplays escassas, começarei a encerrar essa parada, a fim de que ela possa ser publicada em breve. De começo de conversa quero ressaltar que o objetivo do autor era mostrar todas as contribuições da Igreja Católica para a civilização ocidental, de modo que nãos e tenha uma visão de simplesmente uma instituição maligna quedesde o seu surgimento com os apóstolos tinha planos de dominação mundial, illuminatis, Hail Hidra, etc. E na minha opinião em vários quesitos ele consegue demonstrar bem esses pontos, com argumentações e referências bem, coerentes. Ele também tem uma escrita bem didática e os vídeos possuem também uma boa dinâmica de apresentação, tendo eles também certas piadas e comentários irônicos que às vezes ajudam bem a quebrar o clima de seriedade.


Contudo, deve-se lembrar que o foco do vídeo e do documentário são espectadores/leitores católicos que querem conhecer mais a sua instituição e ele é bem inclinado para o lado da Igreja, não sendo parcial de modo algum. Portanto, recomendo que além de dar uma chance ao livro você tenha um senso crítico com relação a ele, como você deveria ter quando qualquer um faz alguma acusação de qualquer gênero a Igreja. Não é uma leitura demorada, mas exige um pouco de atenção e reflexão.


Enfim, recomendo o livro e o documentário que pode ser achado no youtube, mas tentarei colocar pelo menos um vídeo aqui. Também estou buscando coisas de Idade Média para ler e estou lendo livros do Jacques le Goff, que podem ser resenhados no futuro. Podem criticar, xingar, me chamar de misógino, sugerir, adicionar e tirar dúvidas nos comentários. Lembrando que eu não estou dizendo que essa é a verdade absoluta só que é sócio majoritário dela mas sim que é uma visão nova e que deve ser debatida e conhecida. 


Até o próximo post e que Deus, Alá, Dio, Freddie Mercury, Felipe Bastos, etc, estejam com vocês. Até o próximo post, valew e falows.



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