Jornada nas Estreas: Saiba mais sobre o filme Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida

Considerado por muitos um dos melhores filmes de Jornada nas Estrelas e um dos poucos a rivalizar o filme a Ira de Khan.
Em dezembro de 1991, Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida ia aos cinemas e foi o ultimo filme com toda a tripulação original da Enterprise, o filme anterior Startrek V foi um fracasso de bilheteria e critica, sendo ainda hoje considerado um dos piores filmes de Jornada nas Estrelas, por isso a Paramount pensou em fazer um reboot da franquia, não focando mais na tripulação original, criando um roteiro original que mostraria os personagens na academia da frota estelar, esse roteiro era baseado em uma ideia para uma serie que o criador de Jornada nas Estrelas Gene Roddenberry teve quando a serie foi cancelada, na tentativa de criar um spin off e também foi uma das ideias para o primeiro filme da franquia, esse roteiro seria novamente reaproveitado em 2009 quando a Paramount faria um reboot de Jornada nas Estrelas, porem a ideia foi deixada de lado depois da ideia ter sido vista negativamente na época por fãs, críticos e pelo próprio elenco, tendo em vista que o filme iria sair no ano que completaria 25 anos da franquia e a serie Nova Geração estava sendo um sucesso, que poderia mais tarde continuar a franquia no cinema sem fazer um reboot, Nicholas Meyer retornaria na direção e também nos roteiros como ele fez na Ira de Khan para criar um filme que refletisse com a realidade do fim da União Soviética, já que os Klingons sempre representaram no show uma visão da União Soviética e mais tarde adicionaram o codigo de honra dos russos Cossacos misturados com outras culturas.

O filme representaria o que aconteceria se o muro de Berlin caísse no espaço, tocando nos eventos contemporâneos da guerra fria, bem como explicando os eventos que levaram os Klingons fazer parte da Federação que já estava acontecendo na serie a Nova Geração, devido ao fracasso do filme anterior eles tiveram um orçamento reduzido de apenas 27 milhões, mas o filme arrecadaria 97 milhões no mundo todo e seria um dos filmes mais lembrados da franquia, o diretor focou em um visual mais sombrio e o roteiro refletia isso, apesar de Gene Roddenberry não gostar da visão sombria apresentada ele gostou bastante do resultado final do filme apesar de não ter visto o filme completo e apenas uma versão sem todas as cenas, ele mais tarde viria a falecer em outubro daquele ano, para economizar dinheiro eles reutilizaram locações da serie a Nova Geração que estava passando na época,  durante as gravações o diretor e roteirista do filme teve uma longa discussão com Gene Roddenberry a respeito do roteiro, sendo que Gene Roddenberry viria a falecer dois dia depois de ver uma versão quase pronta do filme, Nicholas Meyer disse que se arrepende amargamente de ter discutido com ele, o filme no final foi dedicado a Gene Roddenberry.

O filme mostrou depois de séculos de uma longa guerra fria no espaço, o Império Klingon havia procurado a paz com a Federação, após uma de suas luas próximas ao planeta natal deles explodir em um acidente que fazia referencia a o acidente nuclear de Chernobil, com seus planetas contaminados e perdendo vida eles procuram adentrar a Federação como aliados, porem uma conspiração envolvendo todos os governos galácticos incluindo a Federação estava tentando impedir essa aliança e começar uma guerra entre os dois grupos, mas Kirk e a tripulação da Enterprise se esforçam para impedir isso e finalmente conseguir a paz entre a Federação e o Império Klingon, apesar de Kirk (que perdeu seu filho morto por um Klingon em um dos filmes anteriores) e a tripulação ter razões para odiar eles.

Sulu no filme é mostrado como Capitão, o que foi uma longa exigência do ator George Takei para voltar ao personagem, sem falar uma das ideias antes da Nova Geração para um spin off de Jornada, o ator voltaria a interpretar Sulu em um episodio da serie Voyager, outra ideia do ator é Sulu ter se casado tendo como esposa uma personagem que ele queria que aparecesse, mais tarde a personagem que seria  filha de Sulu apareceria no filme Gerações.

Apesar de ter um menor orçamento que o filme anterior os efeitos foram bem melhores, isso se deve ao fato que no filme anterior a equipe de efeitos especiais, bem como os roteiristas entraram em greve na Paramount, porem agora sem problema a equipe de efeitos especiais dos outros filmes retornaria com efeitos muito bons mesmo sendo um filme de orçamento mediano, muitas das miniaturas e efeitos práticos dos filmes anteriores foram reutilizados para fazer os efeitos, o filme usou cgi em poucas cenas, onde o cgi funcionava como por exemplo o sangue saindo em gravidade zero, o cgi na época era uma tecnologia ainda muito primitiva e tinha que ser usada com cuidado ou parecia muito falso, no caso do filme todas as cenas ele foi muito bem utilizado, o sangue seria vermelho para todos, mas tiveram que focar a cena nos Klingons para fazer o sangue violeta, pois se não o filme teria que ser reclassificado e perderia grande parte da audiência devido a quantidade de sangue que aparece no filme, o efeito de metamorfose que já funciona foi usada em uma personagem transmorfo que aparece no filme para ela virar o Kirk, Cliff Eidelman que tinha época apenas 26 anos foi escolhido para fazer a trilha sonora em cima da hora, mas ele conseguiu fazer uma trilha original que se adequou perfeitamente ao clima do filme, tornando o filme único entre os demais.

O filme recebeu criticas extremamente positivas, até mesmo dos críticos que não gostam de ficção cientifica, pelo seu clima e roteiro que conectava com a realidade atual, dando um clima de conclusão e fechando a saga da tripulação original com chave de ouro, ainda conseguiu criar novos fãs da franquia que não gostavam de muitas vezes temas maniqueístas, mostrando um futuro otimista mas realista, sem falar que dessa vez foi um dos poucos filmes que teve um final solido mostrando o espirito de Jornada nas Estrelas, a ideia de trazer de volta Nicholas Meyer diretor e roteirista de outro dos melhores filmes de Jornada nas Estrelas que foi a Ira de Khan foi realmente perfeita, existiram alguns problemas pequenos no filme, como o figurino que foi muito reaproveitado da serie de tv a Nova Geração, mas tendo em visto o pequeno orçamento do filme é algo que não incomoda, a escolha do ator Christopher Plummer para ser o Klingon vilão do filme foi perfeita, ele rouba diversas cenas e consegue ser um oponente a altura de Kirk e sua tripulação, um dos furos do roteiro é o fato do Dr Mccoy não saber fisiologia Klingon e por isso não poder ajudar um embaixador, tendo em vista a experiencia dele como medico ficou um pouco falso, sem falar de Uhura não saber falar Klingon, os dois atores até brigaram com o diretor dizendo que os personagens deveriam saber fazer isso, mas ele disse aos dois que era para dar mais impacto nas cenas do filme, eles então aceitaram, são coisas pequenas, mas que poderiam ser arrumadas.
Os filmes de Jornada nas Estrelas sempre se destacaram (até mesmo os ruins) por misturar um roteiro com um tema junto com cenas de ação, mas não tentando emular a ação frenética de outras franquias como Starwars, mas a ironia que a ideia no futuro da franquia de um reboot seria esse caminho, o que deu aos filmes pós reboot um clima genérico, sem o impacto que os outros filmes da franquia tinham de colocar uma boa historia, para mim esse é o melhor filme de Jornada nas Estrelas, não só por mostrar as interações entre os personagens muito bem, mas por emular os acontecimentos da época com o filme, marcando uma era e dando uma boa despedida aos personagens da serie original, ao lado dele muito próximo eu diria que está a Ira de Khan e depois deles Primeiro Contato como os melhores filmes da franquia, pois o ponto forte de Jornada nas Estrelas não são os efeitos e nem as cenas de ação (que foram melhorando ao longo dos anos), mas sim o seu roteiro que mostrava a humanidade dos personagens dentro de seu universo e foi o que sempre destacou a franquia, esse filme mostra que pessoas boas podem ter preconceito sem a fazerem malignas e também podem mudar de ideia (como a tripulação da Enterprise em relação aos Klingons), sem falar que políticos não importam suas ideologias só pensam em poder e cabe as pessoas fazer a real diferença de mudar a sociedade, com um final triste ao mesmo tempo feliz que encerra com chave de ouro a fase da tripulação original da franquia.

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