Se RPG te parece esquisito, que tal conhecer Persona?

Se você é gamer ou simpatizante de jogos eletrônicos, o nome Persona com certeza te lembra um grande sucesso do Playstation. Mas muito antes dos videogames com gráficos avançados virarem febre, as pessoas se reuniam para se divertir em torno de um tabuleiro, o que, em alguns casos também poderia ser uma estranha experiência... ok, você pensou em RPG? Precisa conhecer o jogo Persona...  

Lançado pela Grow no início dos anos 80, a caixa do jogo continha um espelho especial (onde é possível ver o rosto dos participantes fundidos um ao outro), duas velas (que facilitam a sobreposição) e um disco (com faixas nomeadas como "terra", "ar", "água" e "fogo", entre outras), onde, de acordo com as regras, os participantes poderiam conhecer profundamente um ao outro e a si mesmos. A experiência se torna perturbadora, pois devido a ambientação criada por estes elementos e o nível de envolvimento entre os participantes, pode gerar além do autoconhecimento, a revelação de segredos obscuros. 

A ideia nasceu de uma experiência do artista plástico italiano Roberto Campadello, que inventou o espelho dourado que faz a fusão entre os rostos dos participantes. Ele então apresentou o projeto "Casa Dourada" para a 12ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo, em 1973, que se transformou em uma exposição de sucesso, atraindo a atenção da Grow para o lançamento da versão em jogo. Desentendimentos entre a empresa e o criador descontinuaram a produção do brinquedo, que se tornou uma raridade. O disco de vinil Persona (que acompanha o jogo) é um dos três mais raros do mundo. Saiba mais sobre esta história aqui, aqui e aqui.


O disco tem data de lançamento oficial como 1975 em edição privada. É um long-play mono de 10", classificado como "obscura banda progressiva experimental", e que, de acordo com esta postagem no YouTube, possui "gravação precária, parecendo ter sido feita em uma pequena garagem, com gravador K-7 doméstico de 2 canais". Tem locução de Roberto Campadello, vocais de Carmen Flores, guitarra, efeitos e gaita de Luís Carlini, violão de Lee Marcucci e percussão de Franklin Paolillo. Se tiver coragem, ouça o audio acima e deixe suas conclusões nos comentários...
guest author area 51  Gisele Henriques
Administradora com MBA em Administração e Marketing, contabilista, jornalista, desenhista, locutora, podcaster, professora e graduanda em Artes, é uma criatura de extrema modéstia. É mãe de gatos imaginários. Twitter / Facebook