Review: Dead Rising 4


Quando Dead Rising 4 foi anunciado na última E3, eu realmente estranhei muito. Geralmente, um novo jogo da franquia é lançado a cada três anos, porém esse foi simplesmente anunciado repentinamente, poucos meses antes de seu lançamento.

Para a situação ficar ainda mais estranha a Microsoft deixou claro que o jogo é um exclusivo temporário, ou seja, só foi lançado para Xbox One e Windows 10, fazendo com que a única maneira de adquiri-lo para PC seria através da Windows Store, deixando-me ainda mais apreensivo, devido minhas experiências negativas com a empresa. Quem já jogou algum título que utilizava a extinta DRM Games For Windows, com certeza deve compartilhar deste sentimento.

O recurso funcionava da seguinte maneira: caso a chave do Games for Windows não fosse ativada previamente, você era impossibilitado de salvar o progresso do seu jogo ou dependendo do jogo, você sequer conseguia entrar nele. Até aí tudo bem, por mais que concordemos, o fato é que, teoricamente,  qualquer DRM contribui no combate contra a pirataria.  O problema é que este, em especial, frequentemente sofria de problemas como sobrecarregamentos do servidor, impedindo os usuários de se cadastrar e logar na sua conta da Microsoft.

Além disso, alguns meses antes, o lançamento de Quantum Break, o primeiro grande Triple A da Windows Store, havia sido lançado repleto de bugs que tornavam a jogatina do título algo inviável. O fato fez com as pessoas ficassem extremamente receosas em utilizar a plataforma.

Surpreendentemente, no entanto, nenhum destes problemas esteve presente em Dead Rising 4, que funcionou perfeitamente desde quando deu as caras na Windows Store. Em outras palavras, desde que Windows 10 esteja atualizado, não haverá nenhum problema.

De volta a Willamette 

Um ano depois da infestação zumbi em Los Perdidos,  o ex-jornalista e fotógrafo, Frank West, trabalha agora como um professor de faculdade, quando é abordado por uma de suas estudantes, Vick. A garota o convence a ajudá-la a investigar um Complexo Militar situado nos arredores de Willamette, local do primeiro surto zumbi. Uma vez lá dentro, eles descobrem que a instalação está sendo novamente usada para pesquisas com zumbis. Durante a investigação, todavia, eles são descobertos e forçados a fugir. Apesar de não ter sido preso, o ex-jornalista é acusado de terrorismo pelo governo.

Alguns meses depois, na véspera de Natal, ele é encontrado por Brad Park, um agente ZDC, que o convence a ajudá-lo a investigar um novo surto zumbi, que começou em sua cidade natal durante a Black Friday, em troca ele promete limpar o nome de West.

West, é você? 

O grande destaque deste lançamento da Capcom é, com certeza, o retorno de Frank West, o protagonista do primeiro jogo da série. Mesmo depois de anos, o corpulento e carismático fotógrafo ainda é cultuado pelos fãs, devido a sua personalidade crítica e suas piadas ácidas, inclusive este último elemento continua a ser marca registrada de Dead Rising.

O problema é que este novo título nos trás um Frank totalmente diferente. Nosso protagonista misteriosamente rejuvenesceu, está esbelto, mas, ao mesmo tempo, perdeu seu senso crítico. Ele agora acredita em todos que lhe dirigem a palavra sem pensar duas vezes, o que lhe coloca em algumas enrascadas no decorrer da história. Em outras palavras, sua personalidade parece ter sofrido um retrocesso, então se você estava ansioso pela volta do personagem, provavelmente irá se decepcionar.

A aparência de nosso herói não foi a única coisa que melhorou, os gráficos sofreram melhorias e agora o cenário e personagens estão mais detalhados. Além disso, houve mudanças na disposição das sombras, de modo que as noites e locais sem iluminação tornaram-se realmente escuros, a ponto de você não conseguir enxergar nada sem visão noturna da câmera.

Aliás, este aparelho é uma ferramenta essencial para seu progresso e divertimento dentro de Willamette  e possui várias funcionalidades. O jogo agora conta com sistema de investigação baseado na câmera, que adiciona novas camadas ao jogo. Você pode utilizá-la para destacar elementos do cenário, encontrar pistas e abrir portas. Mas o mais divertido mesmo é usá-la é para tirar fotos, incluindo selfies.

Aproveitando este novo recurso, a Capcom resolveu apostar ainda mais no fan service, não se limitando a disponibilizar armas e fantasias dos personagens icônicos da desenvolvedora, mas agora também há lojas especializadas com pôsteres e brinquedos espalhadas por toda a cidade. Isso possibilita tirar selfies hilárias ao lado dos mais diferentes tipos de zumbis.

Outra novidade é a estréia de um sistema de stealth. Para acioná-lo é simples, basta pressionar um botão para que Frank comece a andar abaixado, o que dificulta que ele seja detectado e possa matar seus oponentes muito mais facilmente.

A utilização dessas mecânicas, no entanto, causa um grande  e inevitável desequilíbrio às partidas. E não adianta tentar alterar a dificuldade nas configurações, pois essa opção simplesmente não existe no jogo, o que, com certeza, irá frustrar os jogadores mais experientes. A Capcom já anunciou uma atualização que implementará novos níveis de dificuldade, porém o recurso só chegará em janeiro.

As simplificações não se limitaram a dificuldade, as mecânicas de combate agora foram aperfeiçoadas, de modo que as lutas agora são muito mais ágeis e fluidas. Há botões específicos, dedicados a sacar/trocar cada um dos três tipos de armamento: armas brancas, armas de fogo e explosivos. Finalmente um ponto positivo com relação às mecânicas, pois você não precisará mais recorrer ao inventário nem arriscar sofrer dano quando for manusear este tipo de equipamento.

Louca carnificina 

O sistema de crafting, uma das marcas registrada do game, continua a existir e está muito mais dinâmico, basta ter um item no inventário e outro próximo ao seu personagem para criar alguns dos equipamentos mais insanos que você já viu, contanto que você tenha adquirido previamente o blueprint (a receita) do mesmo.

O interessante é que, como nos primeiros jogos da série, você também pode adquirir tanto armas quanto veículos comprando-os dos sobreviventes que habitam os abrigos. A maneira mais fácil e barata de adquirir um transporte, porém, continua sendo pegar qualquer calhambeque abandonado pelas ruas de Willamette. Inclusive é possível conduzir alguns pequenos e vergonhosos veículos até mesmo pelos corredores do shopping. Entre este estão carrinhos de golfe, carrinhos elétricos de brinquedo para crianças, além da humilhante bicicleta rosa.

Por fim, para compensar a ausência de fast travels (viagens rápidas), foi adicionado ao jogo uma estação de rádio dedicada a tocar canções natalinas. Você pode escutá-la em várias partes da cidade e também enquanto dirige. A presença destas músicas cria um contraste com toda a brutalidade e sanguinolência de suas batalhas, tornando jornada mais divertida.

Frank, eles não ligam para nós

Dead Rising 4 definitivamente está longe de ser o melhor jogo da franquia. Para tentar arrebanhar novos jogadores, a Capcom simplificou o jogo, colocando de lado os algumas das principais características da série. Isso com certeza não agradou aos fãs, mas, ao mesmo tempo, não posso ignorar o fato de que ele é o jogo da série que  melhor serve como porta de entrada aos que nunca tiveram contato com a franquia.

O que tem de melhor:

  • Gráficos aprimorados;
  • Mecânicas de batalha fluido;
  • Crafting dinâmico.

O que foi meio zica:

  • Trouxe de volta um Frak West jovial e sem graça;
  • Sistemas de níveis de dificuldade ainda não foram implementados;
  • Ausência de modo cooperativo na campanha principal.

Avaliação: Méééééé (Mediano)


O Review de Dead Rising 4 foi realizado a partir de uma chave cedida pela assessoria de imprensa para a versão de PC.
Capa: Peterson Barros