Logan 2017 - Crítica (Sem Spoilers)



Veja a melhor opinião da internet sobre o filme do momento, a despedida de Hugh Jackman de Wolverine.

Sinopse - O ano é 2029, Logan é um velho remanescente da raça mutante, praticamente extinta. Ele luta para ganhar a vida e cuidar do nonagenário Charles Xavier. Debilitado fisicamente ele é procurado por uma mulher misteriosa para ajudar uma possível mutante, a menina Laura Kinney, de uma organização nefasta.

 A primeira coisa que pensei ao entrar no cinema e ver a primeira cena de Hugh Jackman como Wolverine, no seu filme de despedida do personagem, foi: " Cara fazem 17 anos desde o 1º X-Men". Os tempos são outros, e por serem outros é que temos um ponto importante antes de analisar o filme em si. Como é importante uma obra romper com mero entretenimento infanto juvenil e atingir o público adulto. Nem toda obra é tão corajosa, e isso foi cimentado por filmes como a trilogia Batman (Nolan) e recentemente Deadpool.  Definitivamente a classificação é verdadeira. Pais que levaram filhos a sessão saíram antes dos primeiros 30 minutos do longa.

Para provar essa teoria, a primeira palavra de Logan no filme é um sonoro 'Fuck'. E os 17 anos que se passaram na cronologia de filmes mutantes da FOX, parecem ser muito mais no rosto do ator. Ele está bem envelhecido, o que esteticamente é próximo a 'Old Man Logan'. É possível sentir cada cicatriz e o peso da idade no mutante. Apesar de parecer forçado ele mancar o tempo inteiro. 
Charles Xavier tem uma deslumbrante atuação de Patrick Stewart, e aqui temos ele despido de todo bom senso muito mais realista, com o peso de muitas escolhas ou ironizando muito de seu período na tutela dos X-men.
A X-23 tem uma participação que simboliza bem o drama do filme, e ótimas cenas de ação. Praticamente toda sua participação é sem falas, o que valoriza bem sua fisicalidade no filme.


Os vilões da trama são bem auto-contidos o que traz mais realismo, nada de caras superpoderosos querendo dominar o mundo, feixes de luz e etc. Isso acaba ressaltando ainda mais o quão debilitado Wolverine está para enfrentar suas ameaças (comparado aos filmes anteriores).  O filme não é melancólico ao extremo como sugerido pela música do Jhonny Cash em um dos trailers. É um bom drama envolto em uma boa dose de ação.  E que cenas de ação.
Finalmente temos o Wolverine que esperamos, o animal selvagem e desmedido, coisa que nunca podemos ver por conta da ‘censura’ imposta pela faixa-etária em seus demais longas. Em Logan, o mutante estraçalha, desmembra, retalha de maneira visceral. Em alguns momentos beira a violência gratuita, mas todas as cenas são bem trabalhadas pelo roteiro.  O tom do filme lembra muito The Rover de 2014.


A edição talvez tenha um pouco de ‘enrolação’ em algumas cenas  (o filme tem 2 horas e 20) , mas não prejudica a trama em si.  O filme é denso, com forte carga dramática e difere muito do tom padrão dos filmes de super-heróis atuais. É metafórico, trata a questão da perda, da falta de esperança, da importância da família e etc.  Tem cenas de ação memoráveis, entrega um Wolverine cansado, debilitado no qual é possível com que o telespectador sinta arrepios em cada esforço seu em combate.



 É uma atuação digna de Hugh Jackman, um filme a altura do personagem  e rompe com o caminho convencional do gênero. E não pode passar batido a atuação do Patrick Stewart (é incrível)
Não é preciso ver os demais filmes da cronologia mutante, apenas saber o essencial sobre os personagens centrais e se preparar. É um filme dramático acima de tudo. Não é perfeito, porém é o melhor da cronologia mutante e prefere fugir da estética convencional do gênero.




OBS –Para quem viu o filme – e aquela cena do Cassino ??